A megaoperação no Alemão e na Penha, realizada nesta terça-feira (28), deixou 90 mortos, entre eles quatro policiais, e resultou em 81 prisões e 75 fuzis apreendidos, segundo balanço da Polícia Civil. A ação, que mobilizou cerca de 2,5 mil agentes, teve como objetivo conter o avanço territorial do Comando Vermelho (CV) e cumprir dezenas de mandados de prisão contra chefes do tráfico do Rio e de outros estados.
Entre as vítimas estão dois policiais civis — Marcus Vinicius Cardoso Carvalho, chefe da 53ª DP (Mesquita), e um agente da 39ª DP (Pavuna) — além de dois integrantes do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Outros oito agentes ficaram feridos, além de quatro moradores atingidos por balas perdidas.
Durante a operação, criminosos incendiaram veículos e usaram drones para lançar explosivos contra as forças de segurança, em uma demonstração inédita de poder bélico. As forças policiais responderam com apoio aéreo, blindados e helicópteros. O secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos, classificou a ação como uma das mais complexas já realizadas no estado.
O governador Cláudio Castro afirmou que a situação ultrapassa os limites da segurança pública tradicional. “Essa operação de hoje tem muito pouco a ver com segurança pública. É uma operação de Estado de Defesa. É uma guerra que já passou dos limites de onde o Estado deveria estar sozinho. Precisamos de apoio maior, inclusive das Forças Armadas”, declarou.
A operação contou com agentes do Comando de Operações Especiais (COE), da Core, de delegacias distritais e especializadas, além de promotores do Gaeco/MPRJ. O Complexo da Penha foi apontado como uma das principais bases do projeto expansionista do Comando Vermelho, que vem atraindo criminosos de pelo menos 12 estados. Entre os presos estão Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, e Nicolas Fernandes Soares, operador financeiro de Edgard Alves de Andrade, o Doca da Penha, uma das principais lideranças da facção.
O confronto provocou impactos severos na rotina da população. Ao menos 46 escolas municipais foram fechadas — 29 no Alemão e 17 na Penha — e cinco clínicas de saúde suspenderam atendimentos. Universidades como UFRJ, UERJ, UFF e a Fiocruz também interromperam suas atividades por segurança.
De acordo com o sindicato Rio Ônibus, seis coletivos foram usados como barricadas em diferentes regiões e 20 linhas de ônibus tiveram os itinerários desviados. Moradores relataram tiroteios intensos e colunas de fumaça que podiam ser vistas de longe. Imagens registradas por drones mostraram criminosos armados fugindo em fila pela mata da Vila Cruzeiro.
A ação, batizada de Operação Contenção, foi resultado de mais de um ano de investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e pelo Gaeco/MPRJ. A ofensiva marcou um novo patamar de enfrentamento entre o poder público e as facções criminosas, em um cenário cada vez mais próximo de um conflito urbano armado.
Ônibus utilizados como barricadas
- Vicente de Carvalho – C27097 – 940 (Ramos x Madureira)
- Estrada do Camboatá – B11506 – SV669 (Pavuna x Méier)
- Avenida Nazaré – B51637 – SV624 (Mariópolis x Praça da Bandeira)
- Avenida Brasil – B11514 799 (Pavuna x Bangu)
Desvios na Penha
- 721 Vila Cruzeiro x Cascadura
- 312 Olaria x Candelária
- 313 Penha x Praça Tiradentes
- 621 Penha x Saens Peña
- 622 Penha x Saens Peña
- 623 Penha x Saens Peña
- 625 Olaria x Saens Peña
- 628 Penha x Nova América
- 679 Grotão x Méier
- Desvios no Engenho da Rainha
- 292 Engenho da Rainha x Castelo
- 688 Pavuna x Meier
- 687 Pavuna x Meier
- 629 Irajá x Saens Peña
Desvios no Alemão (Avenida Itaóca e Estrada do Itararé)
- 292 Engenho da Rainha x Castelo (voltou a desviar)
- 711 Rocha Miranda x Rio Comprido (voltou a desviar)
- 908 Terminal Deodoro x Bonsucesso
- SV908 Terminal Deodoro x Bonsucesso
- 312 Olaria x Candelária
- 623 Penha x Saens Peña
- 628 Penha x Nova América
Desvios no Chapadão
- 799 Pavuna x Bangu
- 669 Pavuna x Meier
- SV669 Pavuna x Meier
- 778 Pavuna x Cascadura Comprido














