Operação Metástase cumpriu mandados no Complexo da Maré e em outros três estados; grupo reintroduzia remédios oncológicos na rede pública
Apontado pela Polícia como o chefe de uma organização criminosa interestadual especializada no roubo de cargas de medicamentos oncológicos e imunossupressores, Stefano Mantovani Fernandes foi preso na manhã desta terça-feira, dia 21 de julho, Santo André, no ABC Paulista, durante a Operação Metástase.
Segundo a investigação, ele comandava um esquema que roubava cargas no Rio, escondia os medicamentos em áreas dominadas pela facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) dentro do Complexo da Maré, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, e os redistribuía para outros estados, onde eram revendidos a hospitais privados e, em alguns casos, a instituições públicas de saúde por meio de licitações.
O delegado Luiz Eduardo Moura, da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) revelou que até uma unidade infantil chegou a receber os produtos.
No Rio de Janeiro, a Polícia Civil concentrou a operação no Complexo da Maré. A ação integra a primeira fase da Operação Metástase, que conta com o apoio de forças de segurança de São Paulo, Goiás e Pará, e já contabiliza ao menos outras cinco prisões.
As investigações revelam um esquema complexo e altamente rentável: em apenas um ano, o grupo movimentou mais de R$ 33 milhões e esteve envolvido em ao menos 20 roubos de carga.
A quadrilha utilizava empresas de fachada para lavar o dinheiro e reinserir os remédios de alto custo no mercado legal, alcançando inclusive contratos com a rede pública de saúde.
Além das prisões, a Justiça determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens para sufocar financeiramente a organização.
Histórico de reincidência
Esta não é a primeira vez que Stefano Fernandes é alvo da Polícia. O histórico criminal do acusado remonta a setembro de 2009, quando foi detido ao lado do pai e das irmãs por chefiar um esquema idêntico de desvio de medicamentos.
Anos mais tarde, em 2012 — mesmo cumprindo pena de 14 anos em regime fechado —, investigações da Polícia Civil de São Paulo comprovaram que ele continuava a articular e comandar o roubo de cargas de dentro da cadeia.














