Justiça Militar condena médica por falsificar exame para ingressar na Força Aérea Brasileira
Uma médica foi condenada a um ano de reclusão em regime aberto pelo crime de uso de documento falso. A decisão foi tomada pela Justiça Militar da União, que determinou a pena após a profissional apresentar um laudo ginecológico adulterado durante um processo seletivo.
O objetivo da médica era ingressar como oficial temporária na Força Aérea Brasileira (FAB). Ela utilizou um exame falso para comprovar aptidão, mas a fraude acabou sendo descoberta pelas autoridades.
As informações foram divulgadas em decisão judicial a que o Metrópoles teve acesso. A condenação evidencia a seriedade com que casos de fraude em processos seletivos militares são tratados, especialmente quando envolvem profissionais da área da saúde, conforme apurado pela Justiça Militar da União.
O Processo Seletivo e o Exame Pendente
A profissional, identificada como Teresa Salamone, participou de um processo seletivo para o Hospital da Força Aérea de São Paulo (HFASP). Durante as etapas de avaliação de saúde, a entrega de um exame ginecológico preventivo, o Papanicolau, ficou pendente.
O exame original de Teresa Salamone indicou um diagnóstico de “Classe III”, condição que, segundo as diretrizes da Força Aérea, é considerada incapacitante para o serviço militar. A médica, no entanto, optou por apresentar um documento alterado.
A Fraude Descoberta pela Perícia
Em vez de apresentar o resultado que a inabilitaria, Teresa Salamone apresentou um laudo falso que atestava o resultado “Classe II”, indicando normalidade e, portanto, a aptidão para a vaga. Com o documento adulterado, ela conseguiu prosseguir no processo seletivo.
A fraude, contudo, não passou despercebida por muito tempo. Uma perícia realizada pelo Instituto de Criminalística constatou que o laudo apresentado era uma cópia idêntica de um exame antigo de Teresa, realizado em 2020. As informações e a diagramação foram mantidas, mas a data do cabeçalho foi alterada para 30/08/2024.
Denúncia Anônima Leva à Investigação
A descoberta da fraude ocorreu em fevereiro de 2025, após uma denúncia anônima ser enviada à ouvidoria da Aeronáutica. Com a informação, o hospital militar entrou em contato com o laboratório responsável pelo exame original.
O laboratório confirmou a divergência de informações e a alteração das datas nos documentos entregues à junta médica. Durante seu depoimento, Teresa Salamone negou ter adulterado o exame, mas a Justiça Militar da União considerou as provas suficientes para a condenação.
A pena de 1 ano de reclusão em regime inicial aberto foi determinada pelo juiz Vitor de Luca, com base no crime de uso de documento falso. O caso ressalta a importância da integridade em processos seletivos e as consequências legais para quem tenta burlar as regras.














