MC Poze é investigado após adolescente de 16 anos denunciar estupro

MC Poze do Rodo

A Polícia Civil abriu inquérito para apurar uma denúncia de estupro e ameaça contra o cantor Marlon Brendon Coelho, conhecido como MC Poze do Rodo. Uma jovem de 16 anos registrou ocorrência nesta quarta-feira (28) na delegacia especializada.

O caso está sob os cuidados da DCAV (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima). Os episódios relatados pela jovem teriam acontecido na casa do artista, situada no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Polícia Civil apura denúncia de violência sexual e coação no Recreio

Segundo o registro de ocorrência feito pela adolescente, o caso principal aconteceu no dia 26 de setembro, por volta das 22h. A jovem afirmou aos agentes que foi chamada por uma amiga para uma comemoração no imóvel do funkeiro.

No depoimento, a adolescente relatou que recebeu bebidas alcoólicas e entorpecentes no local, incluindo a droga clandestina conhecida como “Black Lança”. Ela explicou aos policiais que já não estava totalmente lúcida quando foi levada a um quarto com o músico.

A denunciante afirma que impôs uma condição direta para a relação: a exigência do uso de camisinha. No entanto, segundo a acusação, o cantor teria recusado o preservativo e continuado o ato sexual sem a devida concordância dela.

A vítima relatou ainda um segundo momento de violência dois dias após a festa. Ela alega ter sido forçada a retornar ao imóvel do cantor no Recreio dos Bandeirantes, onde teria sofrido graves ameaças.

De acordo com o depoimento prestado à DCAV, o artista tomou o telefone celular da garota e tentou obrigá-la a engolir medicamentos comprados por ele. Caso ela se recusasse a ingerir os comprimidos, haveria a ameaça de que comparsas fariam a jovem sumir.

A advogada Daiana Andrade, responsável pela defesa legal da adolescente, confirmou que a representação aponta estupro de vulnerável, ameaça e fornecimento ilegal de entorpecentes a menores. Pedidos formais de medidas protetivas urgentes foram enviados à Justiça fluminense.

O que já se sabe sobre o caso

O procedimento policial corre em total sigilo por determinação da legislação federal, conforme orienta o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A identidade da vítima segue sob preservação absoluta para garantir a integridade física e emocional da jovem.

A menor foi imediatamente encaminhada ao Instituto Médico-Legal (IML) para realizar os exames periciais que atestam vestígios físicos. Os laudos técnicos vão compor o inquérito policial nos próximos dias.

A assessoria e a defesa do cantor Marlon Brendon Coelho não apresentaram posicionamento até a publicação deste texto. A reportagem tentou contato com os representantes legais do artista, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para o posicionamento da defesa.

Quem responde por isso

A investigação é conduzida pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), unidade especializada da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro localizada no Centro da capital fluminense. Os agentes trabalham para intimar todos os nomes citados no depoimento.

Em nota oficial, a Polícia Civil informou que os investigados serão ouvidos na sede da delegacia especializada e diligências estão em andamento. Imagens de segurança e depoimentos de testemunhas que estavam na festa devem ser colhidos pelos policiais.

O cantor MC Poze do Rodo responde ao processo em liberdade relativo a investigações anteriores. Ele já teve passagens registradas na Justiça nos últimos anos e cumpre medidas cautelares determinadas pelo Poder Judiciário.

O que fazer se você foi vítima de violência

Mulheres, adolescentes ou familiares de vítimas de abuso sexual devem procurar ajuda especializada de forma imediata. O atendimento rápido é fundamental para a saúde da pessoa e para a coleta adequada de provas da agressão.

Em casos de emergência ou flagrante, a população deve ligar imediatamente para o telefone 190 da Polícia Militar. Para atendimentos ambulatoriais, a vítima deve comparecer o quanto antes a uma unidade de emergência da rede pública de saúde para tomar medicamentos preventivos contra infecções e gravidez indesejada.

O boletim pode ser registrado presencialmente em qualquer Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) ou nas delegacias distritais dos bairros. No Rio de Janeiro, a Central Judiciária de Abrigamento e a Defensoria Pública também prestam assistência jurídica gratuita e confidencial pelo telefone 129.

Como denunciar abusos de forma anônima

Denúncias sobre crimes contra crianças, adolescentes ou mulheres podem ser feitas sem a necessidade de identificação. O Disque Denúncia do Rio funciona sem interrupção e repassa as informações diretamente para a cúpula das polícias.

  • Telefone do Disque Denúncia: (21) 2253-1177 (atendimento 24 horas).
  • WhatsApp do Disque Denúncia: (21) 2253-1177.
  • Disque 100: canal federal dos Direitos Humanos, gratuito e anônimo.
  • Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher para denúncias de violência de gênero.

O sigilo da ligação é garantido pela legislação, e nenhuma informação pessoal é exigida de quem telefona para relatar crimes ou abusos em território fluminense.

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