Maridt opera sem revelar sócios e inclui ministro Dias Toffoli

ministro Dias Toffoli

Maridt opera sem revelar sócios e inclui o ministro Dias Toffoli entre seus integrantes, embora o nome dele não conste nos registros públicos da empresa. A informação foi confirmada pelo próprio magistrado, que admitiu participação societária, mas negou exercer funções administrativas.

Criada em outubro de 2020, a Maridt Participações é estruturada como sociedade anônima de capital fechado. Nesse modelo, apenas os administradores precisam constar nos registros oficiais, o que permite a existência de acionistas que recebem dividendos sem aparecer na documentação pública.

Nos registros da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), figuram como executivos apenas José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro. Posteriormente, houve alteração na diretoria, com a saída de José Carlos da presidência e a entrada de Igor Luiz Pires Toffoli, sobrinho do ministro, como diretor.

Segundo o cadastro oficial, a empresa tem sede em Marília (SP) e declarou capital social de R$ 150. O contrato social aponta como objetivo a participação societária em outras empresas no Brasil e no exterior.

Até fevereiro de 2025, a Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro, responsável pelo Tayayá Aqua Resort, no Paraná. A saída ocorreu em duas etapas, com venda de participação a fundos privados. De acordo com nota divulgada pelo ministro, todas as transações ocorreram a valor de mercado.

Em manifestação oficial, Toffoli afirmou que integra o quadro societário da empresa, mas não exerce nem exerceu funções de gestão. Ele citou a Lei Orgânica da Magistratura, que permite a magistrados participação societária e recebimento de dividendos, desde que não atuem como administradores.

O caso ganha relevância porque o ministro é relator de investigação envolvendo o Banco Master, instituição ligada a uma das negociações empresariais mencionadas.

A discussão reacende o debate sobre transparência societária em empresas de capital fechado e os limites legais da atuação de agentes públicos no setor privado.

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