Maria Manicômio e mais seis pessoas são presos após espancamento na Lagoa

Luma Melo Rajão, que se autodenominava Maria Manicômio

A estudante de Direito Luma Melo Rajão, que se autodenominava Maria Manicômio nas redes sociais, está entre os seis denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por tentativa de homicídio qualificado após uma briga violenta na Lagoa Rodrigo de Freitas. O episódio, ocorrido no estacionamento do Parque dos Patins na madrugada de 23 de maio, deixou um jovem inconsciente após ser brutalmente espancado.

Suspeitos do espancamentoda LagoaDe acordo com as investigações, Maria Manicômio teve papel central no crime. Após um desentendimento iniciado dentro de uma boate próxima ao local, Luma começou a hostilizar a vítima, que havia feito um comentário irônico em resposta a uma fala arrogante de Pedro Vasconcellos do Amaral Sodré de Mello, conhecido como Rebordão. Ainda na boate, Rebordão teria dito: “Você não tem nem dinheiro para passar aqui do meu lado. Paguei R$ 17 mil nisso daqui”, segundo relato da vítima.

O homem agredido respondeu com uma piada, perguntando se o valor era dele ou da mãe. Depois disso, ele passou a ser seguido pelo grupo, que incluía Luma, Rebordão e outros jovens. No estacionamento, as agressões começaram. Em vídeo que circula nas redes, a vítima aparece caindo no chão enquanto recebe 22 chutes na cabeça. A Justiça decretou a prisão preventiva de todos os envolvidos. Quatro já foram presos; dois estão foragidos.

Segundo a denúncia do MP, Luma Rajão incitou o grupo com gritos como: “Ali o gorducho! Pega ele! Você não vai fazer nada não? Mata o gorducho!” A delegada responsável pelo caso, Daniela Terra, afirmou que a jovem morava em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca e havia sido alertada por familiares sobre o namorado. “Ela escolheu ser namorada de um bandido, mesmo diante de tantos avisos”, disse a delegada.

Entre os presos está Rebordão, de 26 anos, apontado como o autor dos golpes mais violentos. Ele tem nove anotações criminais, incluindo roubo, tráfico de drogas, violência doméstica e organização criminosa. Segundo a Polícia Civil, ele também é investigado por clonagem de cartões e veículos.

Outro nome de destaque é o modelo Bruno Krupp, de 25 anos, já conhecido da Justiça. Em 2022, ele atropelou e matou um adolescente de 16 anos na Barra da Tijuca, quando dirigia uma moto sem habilitação a mais de 150 km/h. Bruno responde por homicídio com dolo eventual e aguarda júri popular. No caso da Lagoa, ele é acusado de incitar as agressões, mesmo sem participar fisicamente. “Mata ele! É os capetas! Tem que matar!”, teria gritado, segundo a denúncia do MPRJ.

Artur Velloso Araújo, de 18 anos, também aparece nas imagens agredindo a vítima no chão. Ele tentou fugir, mas foi preso em São Paulo. Já Felipe de Souza Monteiro, com passagens por tráfico, posse de arma e receptação, está foragido. A polícia acredita que ele tenha fugido para o Rio Grande do Sul.

O outro foragido é Jacobo Pareja Rodriguez, de 26 anos, colombiano, filho de um traficante. Ele é apontado como um dos que chutaram a cabeça da vítima e teria fugido para o Paraguai após o crime.

“Todos eles vêm de famílias de classe média alta, com acesso a educação, conforto e oportunidades. Mesmo assim, escolheram o crime”, afirmou a delegada Daniela Terra, em depoimento ao jornal O Dia.

As investigações seguem em andamento na 15ª DP (Gávea), que trabalha para localizar os dois foragidos. O caso gerou indignação pela brutalidade e pelo perfil dos envolvidos, jovens de classe alta que se envolveram em atos de extrema violência.

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