Mara Faget: ex-diretora do Pinel é acusada de aplicar golpes em pacientes

psiquiatra Mara Faget

A psiquiatra Mara Faget, ex-diretora do Instituto Municipal Philippe Pinel, está no centro de uma série de denúncias graves no Rio de Janeiro. Ela é acusada de aplicar golpes em pelo menos oito pacientes, aproveitando-se da condição de vulnerabilidade emocional de quem buscava ajuda. Mesmo com o CRM cassado desde 2021, Mara seguia atendendo como psicanalista em um consultório no Leblon, como revelou reportagem do Fantástico, da TV Globo.

Os relatos apontam que a médica pedia dinheiro a pacientes durante as sessões, usando justificativas como problemas familiares ou doenças na família. Uma das vítimas, uma enfermeira, chegou a contrair empréstimos que somaram R$ 92 mil, sem nunca ter recebido o valor de volta.

Além das questões financeiras, outras denúncias revelam práticas ainda mais preocupantes, como a emissão de diagnósticos falsos — em um caso, uma paciente foi medicada para Alzheimer quando, na verdade, sofria de depressão.

Em outro episódio, Mara Faget teria se envolvido com a filha de uma paciente idosa e, por meio dessa relação, conseguiu obter cerca de R$ 800 mil, sob falsas promessas relacionadas a uma suposta herança. A Justiça chegou a determinar o pagamento de R$ 950 mil, mas os bens não foram localizados em nome dela, impossibilitando a quitação da dívida.

Mesmo após perder o direito de exercer a medicina, ela continuou atuando como psicanalista — profissão que não é regulamentada — e chegou a ser denunciada por usar o nome e o carimbo de outra médica para emitir receitas, incluindo documentos com assinatura falsificada no Instituto Pinel.

O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) informou que a cassação do CRM impede que ela se apresente como médica, e exercer ilegalmente a profissão é crime. A defesa de Mara Faget nega todas as acusações, afirmando que elas “carecem de respaldo fático ou jurídico” e que ela jamais atuou como médica após a cassação, embora as provas apresentadas nas denúncias indiquem o contrário.

A jornalista Laren Aniceto, que também foi paciente, reuniu depoimentos de 38 pessoas e transformou a apuração sobre a médica em seu trabalho de conclusão de curso. Segundo ela, é urgente que o caso ganhe repercussão para evitar que outras pessoas sejam vítimas.

“Se a gente não denuncia, essas coisas continuam acontecendo. Não podemos deixar o mal prevalecer”, afirmou uma das vítimas emocionada.

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