Manguezais se expandem e transformam o cenário ecológico nas lagoas da Barra e de Jacarepaguá.
Um cenário de renovação ambiental ganha força no Complexo Lagunar da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. O programa Juntos Pela Vida das Lagoas, iniciativa da Iguá Rio, já plantou mais de 85 mil mudas de mangue, marcando um passo significativo na recuperação desses ecossistemas vitais.
O projeto visa não apenas o reflorestamento, mas a completa revitalização das lagoas, com o objetivo de restaurar a qualidade da água e proporcionar um lar seguro para a fauna local. As raízes dos mangues desempenham um papel crucial, atuando como filtros naturais e estabilizando as margens, além de criar refúgios para diversas espécies.
Os resultados já são visíveis, com mudas em pleno crescimento, regeneração natural da vegetação e o retorno de animais emblemáticos. Conforme informação divulgada pela Iguá Rio, crustáceos como o caranguejo-uçuá e o chama-maré já ocupam os novos trechos de manguezal, um claro sinal do avanço da biodiversidade na região.
Manguezais: Aliados Poderosos Contra as Mudanças Climáticas
A importância dos manguezais transcende a proteção da fauna e a melhoria da qualidade da água. Esses ecossistemas são poderosos sequestradores de carbono, desempenhando um papel fundamental na luta contra as mudanças climáticas. Estima-se que eles removam entre seis e oito toneladas de dióxido de carbono por hectare anualmente, armazenando parte desse carbono no solo através de suas raízes.
O trabalho de reflorestamento conta com a especialização do renomado biólogo Mario Moscatelli, que acompanha o projeto desde seu início. Suas orientações são essenciais tanto para o plantio das mudas quanto para o monitoramento contínuo das áreas em recuperação.
“Os manguezais têm papel fundamental na preservação da biodiversidade e no equilíbrio ambiental das lagoas”, afirma Lucas Arrosti, diretor de Operações da Iguá Rio. Ele complementa, dizendo que o projeto Juntos Pela Vida das Lagoas integra saneamento, recuperação ambiental e infraestrutura para impulsionar a melhora do sistema lagunar.
Coletores de Tempo Seco: Escudo Contra o Esgoto nas Lagoas
Paralelamente ao reflorestamento, o programa implementa uma estratégia inovadora para proteger as águas: a instalação de coletores de tempo seco. Esses dispositivos interceptam o esgoto que é despejado irregularmente nas galerias de águas pluviais, impedindo que ele alcance os rios e, consequentemente, as lagoas.
Já foram instalados 24 coletores no Arroio Fundo e no Canal das Taxas. Segundo a Iguá Rio, esses equipamentos são responsáveis por evitar o lançamento de aproximadamente 20 milhões de litros de esgoto por dia no sistema lagunar. A meta é expandir para 54 pontos de coleta na região atendida pelo programa.
Aves Retornam: Sinal de Recuperação Ecológica
A melhoria das condições ambientais nas lagoas também tem sido marcada pelo retorno de diversas espécies de aves. Um dos exemplos mais notáveis é a biguatinga (Anhinga anhinga), que foi observada formando ninho na Lagoa da Tijuca, um comportamento inédito para a espécie no município do Rio de Janeiro, de acordo com a concessionária.
Desde a primeira observação, mais de 18 indivíduos dessa ave já foram identificados na área. Além disso, após o início das obras de dragagem, aves como a garça-boiadeira, a garça-azul e o colhereiro, com sua distinta plumagem rosada, também passaram a ser vistas com maior frequência, celebrando a revitalização do ecossistema.














