Máfia italiana e PCC entram na mira da PF em operação contra tráfico internacional

Polícia Federal

A máfia italiana e PCC estão no centro de uma ampla investigação da Polícia Federal que busca desarticular um esquema internacional de tráfico de drogas com atuação em diversos países. Nesta terça-feira (2), agentes cumpriram dez mandados de prisão preventiva contra suspeitos de integrar uma organização criminosa responsável pelo transporte de grandes carregamentos de cocaína do Brasil para a Europa e a África por meio de rotas marítimas.

Entre os principais alvos da operação está o sérvio Antun Mrdeza, apontado pelas autoridades como integrante da organização criminosa italiana Ndrangheta. Segundo as investigações, ele teria estabelecido conexões com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para coordenar operações de tráfico internacional a partir do território brasileiro.

Preso na Venezuela desde maio de 2025, Mrdeza é considerado mais do que um financiador das atividades criminosas. De acordo com a Polícia Federal, ele participava diretamente da coordenação dos embarques, supervisionava operações e investia recursos próprios para ampliar os lucros da rede de narcotráfico.

Relatórios de inteligência obtidos por autoridades brasileiras e organismos internacionais indicam que o sérvio integra uma estrutura conhecida como “New Drug Trafficking Board”, apontada por investigadores colombianos como um novo centro global de comando do tráfico de drogas. A organização estaria sendo monitorada por agências de segurança de pelo menos sete países.

As apurações revelam que Mrdeza participou de uma operação realizada em 2020 utilizando o veleiro Mobydick. A embarcação partiu do litoral paulista com destino à Espanha transportando cocaína destinada ao mercado europeu. Segundo a PF, a droga utilizada na ação estava ligada a uma carga de quase 500 quilos apreendida anteriormente em uma aeronave no interior de São Paulo.

Os investigadores afirmam que o caso revelou uma sofisticada estrutura logística que utilizava diferentes meios de transporte para movimentar os entorpecentes. A droga era levada por via aérea para pontos estratégicos do interior paulista e posteriormente transportada até o litoral para embarque rumo à Europa.

A operação também identificou uma rede de apoio em solo brasileiro responsável por fornecer infraestrutura, suporte logístico e preparação das embarcações utilizadas nas travessias internacionais. Diversos integrantes desse núcleo foram incluídos entre os alvos das ordens judiciais expedidas pela Justiça Federal.

Como parte das medidas determinadas pela 5ª Vara Federal de Santos, foram bloqueados e sequestrados bens e valores que podem chegar a R$ 631,8 milhões. A ação integra a Operação Narco Sky, considerada um desdobramento da Operação Narco Vela, que investiga o uso de embarcações equipadas com tecnologia de navegação avançada para o transporte de cocaína através do Oceano Atlântico.

Além dos mandados de prisão e busca, a Polícia Federal solicitou a inclusão de investigados na lista de difusão vermelha da Interpol, medida utilizada para localizar foragidos internacionais. O caso ganhou ainda mais relevância diante das recentes ações dos Estados Unidos contra facções criminosas brasileiras, ampliando a cooperação internacional no combate ao narcotráfico.

A investigação segue em andamento e busca identificar outros integrantes da rede criminosa, além de rastrear possíveis conexões entre organizações do crime organizado que atuam em diferentes continentes. Com informações cada vez mais compartilhadas entre agências internacionais, o cerco sobre essas estruturas criminosas tende a se intensificar nos próximos meses.

Para as autoridades, o caso evidencia como o tráfico internacional de drogas vem se tornando cada vez mais sofisticado, exigindo operações integradas e cooperação entre diferentes países para enfrentar organizações com alcance global.

Limpatech