Lula no G7 deve reforçar críticas à possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou neste domingo (14) para a França, onde participa da cúpula em Évian-les-Bains nesta terça e quarta-feira.
Segundo integrantes do governo, não há pedido de reunião reservada com o presidente americano, nem agenda oficial entre os dois líderes até o momento. Ainda assim, auxiliares não descartam uma conversa informal à margem do encontro.
A ida de Lula ao G7 foi confirmada após a divulgação das conclusões de uma investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. O documento sugeriu a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Embora o Brasil não faça parte do grupo das maiores economias do mundo, o país foi convidado pelos anfitriões franceses a participar da cúpula.
Conversa informal
Auxiliares do presidente avaliam que não haveria ganho político em buscar uma reunião formal neste momento. No entanto, uma conversa informal poderia abrir espaço para tentar avançar nas tratativas sobre um possível recuo dos americanos.
Lula já tem encontros previstos com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.
Além da tarifa de 25%, os Estados Unidos estudam impor uma taxa adicional de 12,5% a cerca de 60 países, incluindo o Brasil, sob a alegação de falhas relacionadas ao combate ao trabalho forçado.
Também geraram desconforto no governo brasileiro a decisão americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, além da recepção dada por Trump ao senador Flávio Bolsonaro na Casa Branca.
Assunto abordado
Entre as medidas adotadas pelos Estados Unidos, integrantes do governo consideram que a proposta de sobretaxa de 25% é a única com chance de revisão em curto prazo.
O tema vem sendo tratado por um grupo de trabalho criado após a reunião entre Lula e Trump, realizada em 7 de maio. Na avaliação do Planalto, não faria sentido levar a discussão diretamente aos presidentes enquanto existe um canal institucional aberto entre representantes de alto escalão dos dois países.
No sábado, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, participou de uma reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Segundo o ministério, uma nova rodada técnica de negociações deve ocorrer nos próximos dias.
Mesmo sem encontro direto previsto entre Lula e Trump, o presidente brasileiro deve abordar o tema das tarifas em sua intervenção na cúpula. A pauta da terça-feira será dedicada aos desequilíbrios macroeconômicos globais.
Nesse espaço, Lula deve criticar medidas unilaterais e defender o fortalecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC). Na última quinta-feira, o presidente afirmou que Trump “não foi eleito para ser imperador do mundo”. No G7, porém, a expectativa de auxiliares é que adote um tom mais diplomático.














