Lula não vai negociar tarifa com Trump e articula reação com o Brics

Lula No Brics

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (6) que não vai negociar tarifa com Trump e pretende articular uma resposta conjunta com os líderes da China e da Índia. A declaração ocorre no primeiro dia de validade da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, uma medida que o governo considera injusta e motivada por razões políticas.

Segundo Lula, a estratégia será buscar apoio dentro do Brics — grupo que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — para discutir os impactos do tarifaço e propor uma reação coordenada. O presidente também destacou que, apesar da gravidade da medida, não pretende fazer contato direto com Donald Trump neste momento.

“Pode ter certeza de uma coisa: o dia que a minha intuição me disser que o Trump está disposto a conversar, eu não terei dúvida de ligar para ele. Mas hoje a minha intuição diz que ele não quer conversar. E eu não vou me humilhar”, afirmou Lula em entrevista à agência Reuters.

O aumento da tarifa contra o Brasil foi acompanhado por uma elevação semelhante para produtos indianos, em retaliação à compra de petróleo russo. Para Trump, tais negociações “alimentam a máquina de guerra” da Rússia. O governo brasileiro enxerga essas medidas como parte de uma tentativa americana de enfraquecer o multilateralismo.

Além do contato previsto com os líderes Narendra Modi (Índia) e Xi Jinping (China), Lula confirmou que o Brasil irá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), embora reconheça que o processo possa se arrastar por anos. Em paralelo, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, continuarão as tratativas diplomáticas.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e investigações da Receita Federal apontam que os EUA também têm questionado práticas comerciais brasileiras, como o prazo de registro de patentes e a exploração de minerais críticos.

“Quando um não quer, dois não brigam. E eu não quero brigar com os EUA”, disse Lula, enfatizando que a prioridade do governo é proteger empregos e empresas nacionais. Ele também garantiu que qualquer medida adotada será feita com responsabilidade fiscal.

A China já se posicionou em defesa do Brasil. Em conversa com o assessor especial Celso Amorim, o chanceler Wang Yi declarou apoio “firme” à soberania brasileira e criticou a interferência externa dos Estados Unidos. “A união faz a força”, publicou a Embaixada da China no Brasil em rede social, reforçando o alinhamento.

Apesar da tensão, o Palácio do Planalto estuda o melhor momento para um pronunciamento oficial de Lula em rede nacional. A intenção é apresentar medidas de mitigação da tarifa e reafirmar a postura diplomática do país, sem escalar o conflito.

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