Lula fala em reciprocidade e critica decisão dos EUA sobre delegado brasileiro

Declaração foi feita por Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil pode adotar medidas de reciprocidade após a decisão do governo dos Estados Unidos de solicitar a saída de um delegado da Polícia Federal do território americano. Lula falou em reciprocidade ao comentar o caso nesta terça-feira (21), durante viagem oficial à Alemanha.

Segundo o presidente, o episódio pode representar um abuso por parte das autoridades estrangeiras. “Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, declarou.

Lula também reforçou que o país não aceitará interferências externas em assuntos internos. “Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que alguns personagens americanos querem ter com relação ao Brasil”, completou.

A decisão dos EUA foi comunicada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental, que informou ter solicitado a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Embora o nome não tenha sido citado oficialmente, a medida estaria relacionada a um delegado da Polícia Federal envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

De acordo com a manifestação divulgada nas redes sociais, o servidor teria tentado contornar mecanismos formais de cooperação jurídica internacional, o que motivou a decisão das autoridades americanas.

O caso está ligado à situação de Ramagem, que foi preso recentemente nos Estados Unidos após ser considerado foragido da Justiça brasileira. Ele havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão em processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.

Após a condenação, o ex-deputado deixou o Brasil e passou a viver nos Estados Unidos. A prisão ocorreu na cidade de Orlando, como resultado de uma ação conjunta entre autoridades brasileiras e americanas.

O episódio reacende discussões sobre os limites da cooperação internacional e o respeito à soberania entre países, especialmente em casos que envolvem investigações e cumprimento de decisões judiciais fora do território nacional.

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