O ministro Luís Roberto Barroso antecipa aposentadoria e encerra uma trajetória de mais de uma década no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, anunciada nesta quinta-feira (9) durante sessão plenária, foi recebida com surpresa e já movimenta os bastidores do Planalto e do Judiciário.
“É hora de seguir novos rumos. Não tenho apego ao poder e gostaria de viver a vida que me resta sem as responsabilidades do cargo”, afirmou Barroso, ao justificar a saída. Segundo o ministro, o peso da função tem impacto direto sobre a vida pessoal e familiar.
A aposentadoria compulsória estava prevista apenas para 2033, quando o ministro completaria 75 anos. Ele comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que pretende formalizar a saída ainda este ano, após um período de retiro espiritual e preparação para a transição.
Nos bastidores, a decisão reacendeu uma disputa estratégica dentro do governo. O nome mais cotado para assumir a vaga é o do advogado-geral da União, Jorge Messias, aliado próximo de Lula e com perfil considerado técnico e político. Caso seja confirmado, Messias poderá permanecer na Corte por até 30 anos.
Outros nomes também surgem entre as opções do Planalto, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o presidente do TCU, Bruno Dantas, e o ministro da Controladoria-Geral da União, Vinícius Carvalho. A escolha deverá equilibrar interesses jurídicos e políticos, levando em conta o cenário eleitoral de 2026.
Barroso, natural de Vassouras (RJ), foi indicado ao STF pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2013, para substituir Carlos Ayres Britto. Doutor em Direito Público pela UERJ e mestre pela Yale Law School, o ministro consolidou uma carreira marcada por posições progressistas e defesa de temas como união homoafetiva, células-tronco, direitos reprodutivos e liberdades individuais.
Ao longo de sua trajetória, também presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foi um dos principais porta-vozes da defesa da democracia e da integridade das eleições.
Com a decisão, Luís Roberto Barroso antecipa aposentadoria e encerra um dos ciclos mais influentes do STF nas últimas décadas. A escolha do novo ministro será determinante para o equilíbrio interno da Corte e para a estratégia política do governo Lula nos próximos anos.














