A lista suja do trabalho escravo foi atualizada pelo governo federal e passou a incluir nomes que chamaram atenção em todo o país, como a montadora chinesa BYD e o cantor Amado Batista.
A nova versão do cadastro adicionou 169 empregadores entre pessoas físicas e jurídicas, elevando o total para 613 nomes responsabilizados após decisões administrativas definitivas.
Coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a lista reúne casos em que foram comprovadas condições análogas à escravidão, após o esgotamento das possibilidades de defesa em duas instâncias administrativas.
Apesar de não impor punições diretas, o cadastro funciona como um instrumento de pressão econômica, sendo utilizado por empresas e instituições financeiras para avaliar riscos antes de firmar contratos ou conceder crédito.
O nome de Amado Batista aparece após fiscalizações realizadas em 2024, em Goiás, envolvendo atividades rurais ligadas ao cultivo de milho. Ao todo, 14 trabalhadores foram resgatados em condições irregulares nas operações.
Entre as irregularidades identificadas está a jornada exaustiva, caracterizada pelo desgaste físico ou mental intenso, com jornadas que se estendiam da madrugada até a noite, sem o descanso mínimo previsto em lei.
Já a inclusão da BYD está relacionada a uma operação realizada em 2024, durante a construção de uma fábrica na Bahia, onde trabalhadores estrangeiros foram encontrados em condições degradantes.
As investigações apontaram jornadas que chegavam a até 70 horas semanais, além de problemas estruturais nos alojamentos, como falta de itens básicos e condições consideradas insalubres.
A chamada “lista suja” é atualizada a cada seis meses e mantém os nomes por, no mínimo, dois anos, podendo haver retirada antecipada em caso de regularização.
O cadastro segue sendo uma das principais ferramentas de combate ao trabalho escravo contemporâneo no Brasil, com impacto direto nas relações comerciais e na reputação dos envolvidos.














