Linha BRT Mesquita Rio gera impasse entre prefeituras e estado

Linha BRT Mesquita Rio

A criação da Linha BRT Mesquita Rio abriu um novo capítulo de tensão entre prefeituras e o governo estadual, após a implantação da linha 77, que liga a cidade da Baixada Fluminense ao Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes, em Irajá, na Zona Norte do Rio.

A Prefeitura de Mesquita afirmou que não firmou qualquer acordo para a operação da linha e que desconhece a instalação de placas com sua logomarca em pontos de ônibus indicando o novo serviço. Segundo o município, não houve solicitação formal por parte da Prefeitura do Rio para viabilizar a iniciativa.

A manifestação ocorreu após o início da operação da linha, que já começou cercada de polêmicas. No primeiro dia de funcionamento, veículos foram autuados pelo Departamento de Transportes Rodoviários do Estado (Detro-RJ), e um ônibus chegou a ser rebocado ao chegar ao ponto final em Mesquita.

Com a repercussão do caso, a prefeitura da Baixada informou que pretende notificar a Prefeitura do Rio pelo uso indevido de sua marca em sinalizações instaladas na cidade. Ainda assim, o município reconheceu que a ligação direta com a capital é uma demanda antiga da população e está prevista em seu planejamento de mobilidade urbana.

A situação se intensificou após passageiros relatarem a presença de placas com logomarcas das duas prefeituras em pontos de ônibus, o que aumentou a confusão sobre a autorização do serviço.

Até o momento da última atualização, a Prefeitura do Rio não havia se pronunciado sobre a instalação das placas nem sobre a negativa de Mesquita.

O episódio também ampliou o embate entre a gestão municipal da capital e o governo do estado. O Detro-RJ sustenta que apenas o estado tem competência para operar linhas intermunicipais, o que justificaria a autuação e apreensão dos veículos.

O prefeito Eduardo Paes utilizou as redes sociais para criticar a ação do órgão estadual e voltou a atacar a gestão do governador Cláudio Castro, classificando a situação como parte de um sistema que prejudica a mobilidade da população.

“Alô povo da Baixada Fluminense, especialmente de Mesquita. O Governo Cláudio Castro acabou de apreender um ônibus nosso do BRT Metropolitano que vai atender o morador da Baixada pela metade do tempo e metade do preço! Que gente desrespeitosa. E tem mais: estão defendendo a máfia dos ônibus e a tragédia que são esses ônibus intermunicipais. Não fazem e não deixam fazer! Vamos continuar lutando para atender Mesquita e outros municípios da Baixada com dignidade e respeito. Integração Metropolitana é fundamental”, escreveu Paes numa publicação.

Após o impasse, foi anunciado um acordo provisório entre o Governo do Estado e a Prefeitura do Rio para a circulação de linhas experimentais. A medida prevê a operação de 15 ônibus em três linhas, em horários de menor movimento, conectando Mesquita ao sistema BRT Transbrasil.

Enquanto isso, a população segue no meio do conflito, aguardando uma solução definitiva para um problema que afeta diretamente o dia a dia de quem depende do transporte público na região.

E no meio da disputa política, quem depende do transporte público continua esperando por uma solução que realmente saia do papel.

Limpatech