Na noite de segunda-feira (10), um ataque a tiros em São Gonçalo, na BR-101, deixou dois mortos e um ferido. O crime ocorreu no trecho do km 310, em Boaçu, e envolveu três membros da Igreja Nova Vida de Nova Cidade, que estavam a caminho de casa em um Fiat Toro.
As vítimas foram identificadas como o pastor Luiz Carlos de Figueiredo Kamp, que faleceu no local, e o diácono Saulo Farias, que também não resistiu aos ferimentos. O terceiro diácono, que ficou ferido, foi socorrido por uma ambulância da concessionária Autopista Fluminense e levado para o Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói. Seu estado de saúde ainda não foi divulgado.
O local dos assassinado é controlado pela facção criminosa Comando Vermelho (CV) e tem como um dos líderes o traficante Rafael Teixeira Guimarães Peixoto, o “Funil do Salgueiro”, com sete mandados de prisão em aberto. O criminoso é homem de confiança do narcotraficante Antônio Ilário Ferreira, conhecido como Rabicó, chefe do tráfico de drogas do Complexo do Salgueiro, que segundo denúncias teria liberado na região o roubo de veículos e cargas.
O Disque Denúncia (2253-1177) divulgou um cartaz para auxiliar nas investigações e no inquérito instaurado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), a fim de obter informações que levem à identificação e prisão dos envolvidos na morte dos religiosos.
Sobrevivente, William Melo do Nascimento Silva recebeu a visita dos agentes da DHNSGI e explicou o que aconteceu.
Segundo informações iniciais, o diácono, que estava acompanhado de outras duas pessoas – o pastor Luiz Carlos de Figueiredo Kamp e o diácono Saulo Farias, que morreram no local, informou que criminosos tentaram roubar o Fiat Toro em que eles estavam.
Familiares do pastor Luiz Carlos de Figueiredo Kamp estiveram no Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó, em São Gonçalo, na manhã de terça-feira (11), para acompanhar o reconhecimento do corpo da vítima.
Embora profundamente emocionados pela tragédia, dois dos três filhos do pastor Kamp (como era conhecido) evitaram falar com a imprensa. Um deles resumiu seus sentimentos com a frase “estou muito abalado e sem condições de dar qualquer declaração no momento”.
Os corpos do pastor Luiz Carlos de Figueiredo Kamp e do diácono Saulo Farias foram enterrados na terça-feira (11). O sepultamento foi realizado às 16h30, no Cemitério Parque da Paz, no Pacheco.
Em nota, a Igreja Nova Vida de Nova Cidade lamentou profundamente a perda e afirmou que os dois fiéis agora “estão nos braços do pai”.
Quem era o pastor Kamp?
O pastor Kamp era uma figura respeitada na igreja e conhecido pelo trabalho dedicado à família e à comunidade. Além de pregar, ele atuava como conselheiro de casais e era considerado um “casamenteiro” na igreja, ajudando jovens a se unirem em matrimônio. Casado, pai de três filhos e avô de três netos, também se destacava por sua disposição em ajudar os outros.
Além da missão religiosa, Kamp se envolveu ativamente na reforma da rua onde ficava a igreja, mobilizando fiéis e vizinhos para melhorar as condições de acesso ao templo. Ele organizou mutirões, buscou materiais de construção e se dedicou pessoalmente à obra.
Pastor Kamp deixa mulher, três filhos e três netos.














