Apontado como líder do Bonde dos 40, o criminoso José Camelo de Moura Neto, conhecido como Neto Camelo, foi preso na noite de domingo (9) em Demerval Lobão, cidade a cerca de 30 quilômetros de Teresina, no Piauí. Foragido e com mandados de prisão por tráfico de drogas e organização criminosa, ele tentou despistar a polícia mudando completamente a aparência.
Segundo as investigações do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), Neto Camelo se submeteu a procedimentos estéticos e cobriu tatuagens e marcas corporais na tentativa de evitar o reconhecimento durante as operações. A estratégia, porém, falhou após semanas de monitoramento e análise de imagens por equipes da Polícia Civil e Militar, com apoio da Secretaria de Segurança Pública do estado.
De acordo com o delegado Samuel Silveira, coordenador do Denarc, as forças de segurança já acompanhavam os indícios de transformação física do criminoso. “Detectamos as alterações no rosto em imagens recentes e em relatórios de campo. Mesmo com o disfarce, conseguimos confirmar sua identidade com o uso de tecnologia e análise facial”, afirmou.
A captura aconteceu enquanto o suspeito participava de uma festa em um balneário na zona rural. Apesar do novo visual e das tatuagens cobertas, os investigadores conseguiram confirmar quem ele era. Um veículo usado por ele foi apreendido no local.
Considerado um dos fundadores do Bonde dos 40, Neto Camelo era procurado em pelo menos três estados — Maranhão, Ceará e Pernambuco — e figurava nas listas de criminosos mais procurados do Nordeste. O coronel Jacks Galvão, do Departamento Geral de Operações (DGO), destacou o papel das novas tecnologias na prisão. “Foi uma ação integrada, com cruzamento de dados, rastreamento e uso de softwares de reconhecimento. Mesmo com as tentativas de disfarce, ele não passou despercebido”, disse.
A prisão do líder do Bonde dos 40 representa mais um golpe contra a facção, que atua em diversos estados do Nordeste e é apontada por envolvimento em tráfico de drogas, homicídios e ataques a forças policiais. A Polícia Civil do Piauí informou que as investigações seguem para identificar outros integrantes que davam suporte ao criminoso durante o período em que esteve foragido.














