Leilão do Galeão é vencido pela Aena com oferta de R$ 2,9 bilhões

Aeroporto do Galeão

O leilão do Galeão foi vencido pela empresa espanhola Aena, que apresentou uma proposta de R$ 2,9 bilhões para assumir a concessão do Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. A disputa ocorreu nesta segunda-feira (30), na B3, em São Paulo, e contou com forte concorrência entre grandes operadoras do setor.

Além da Aena, participaram do processo a atual administradora RIOGaleão, sob o nome Rio de Janeiro Aeroporto, e a suíça Zurich. O leilão foi marcado por uma disputa intensa, com lances em viva voz que se estenderam por 26 rodadas, resultando em um ágio de 210,88% sobre o valor mínimo estipulado.

O valor inicial da concessão era de R$ 932 milhões. Na primeira etapa, Aena e Zurich chegaram a apresentar propostas idênticas de R$ 1,5 bilhão, enquanto a RIOGaleão ficou próxima do piso. Já na fase decisiva, a disputa ficou mais acirrada, com a Zurich tentando alcançar os espanhóis com incrementos mínimos, enquanto a Aena elevava os lances até garantir a vitória.

Com o resultado, a empresa vencedora assume o controle total do aeroporto até 2039. O contrato prevê pagamento à vista e marca também a saída da Infraero da sociedade, encerrando sua participação de 49% na concessão.

A nova concessão surge dentro de um modelo reformulado, aprovado após acordo homologado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Em vez da outorga fixa, passa a valer uma contribuição variável de 20% sobre a receita bruta, o que busca equilibrar financeiramente a operação.

Outra mudança relevante foi a retirada da exigência de construção de uma nova pista, o que reduz custos e adapta o contrato à demanda atual do aeroporto. Em 2023, o Galeão registrou movimentação de 17,5 milhões de passageiros, embora tenha capacidade para receber mais de 30 milhões por ano.

O novo contrato também prevê mecanismos de compensação caso o aeroporto Santos Dumont ultrapasse limites operacionais, além de encerrar disputas judiciais entre a concessionária e a União, aumentando a segurança jurídica do setor.

A concessão original do Galeão, realizada em 2013, enfrentou desafios ao longo dos anos, principalmente com a crise econômica e os impactos da pandemia. Em 2022, o terminal chegou a registrar apenas 6 milhões de passageiros, mas voltou a apresentar crescimento após medidas recentes que reorganizaram o fluxo aéreo no Rio.

Com a nova gestão, o aeroporto entra em uma fase decisiva, e o alinhamento entre os terminais da cidade será fundamental para consolidar o Galeão como principal porta de entrada internacional do Rio de Janeiro — um movimento que pode redefinir o futuro da aviação na capital fluminense.

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