A lavagem de dinheiro do Comando Vermelho é alvo de uma operação realizada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta terça-feira (2). A ação ocorre simultaneamente em quatro estados e investiga um esquema financeiro ligado ao tráfico de drogas que teria movimentado mais de R$ 116 milhões entre 2017 e 2025.
Até a última atualização, dois suspeitos haviam sido presos. Os agentes também apreenderam uma arma de fogo, além de celulares e computadores que podem auxiliar no avanço das investigações.
Ao todo, foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. No território fluminense, as diligências ocorreram em Cabo Frio, na Região dos Lagos, e no bairro do Jacaré, na Zona Norte da capital.
Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado utilizava contas bancárias de terceiros e empresas de fachada para ocultar a origem dos recursos provenientes do tráfico de drogas. O objetivo era inserir o dinheiro no sistema financeiro formal sem levantar suspeitas dos órgãos de controle.
As investigações tiveram início após uma operação realizada em julho de 2020 na Comunidade do Tatão, em Anchieta, na Zona Norte do Rio. Na ocasião, agentes apreenderam drogas, rádios comunicadores e documentos bancários que ajudaram a revelar a estrutura financeira utilizada pela organização criminosa.
De acordo com os investigadores, uma das estratégias adotadas pelo grupo era o chamado “smurfing”, prática que consiste em dividir grandes quantias em diversos depósitos menores para dificultar o monitoramento pelas autoridades financeiras.
Os depósitos eram realizados em agências bancárias próximas a áreas dominadas pela facção, especialmente na região do Complexo do Chapadão. Posteriormente, os valores eram transferidos para contas de pessoas usadas como “laranjas” e redistribuídos por meio de diferentes operações financeiras.
Relatórios de inteligência financeira apontaram que parte dos principais beneficiários das movimentações estava concentrada em Sete Quedas, cidade do Mato Grosso do Sul localizada na fronteira com o Paraguai. A região é considerada estratégica para as rotas de tráfico internacional de drogas e armas.
Segundo o Ministério Público, o caminho percorrido pelo dinheiro acompanha a mesma rota utilizada pelo tráfico. As drogas entram no país pela fronteira com o Paraguai, passam pelo Mato Grosso do Sul e seguem para centros de distribuição no Rio de Janeiro.
Batizada de Operação Riqueza Sombria, a ação desta terça-feira tem como objetivo identificar todos os integrantes envolvidos no esquema, ampliar o rastreamento dos recursos e responsabilizar criminalmente os participantes da organização.
As autoridades acreditam que os materiais apreendidos poderão revelar novos nomes ligados à estrutura financeira da facção e ajudar a mapear a circulação do dinheiro oriundo do tráfico.
A operação reforça a estratégia das forças de segurança de atingir não apenas a atuação armada das organizações criminosas, mas também suas estruturas financeiras, consideradas fundamentais para a manutenção das atividades ilegais.














