Lavagem de dinheiro do Comando Vermelho movimentou milhões e financiou armas e drogas

agente da Draco

A lavagem de dinheiro do Comando Vermelho foi alvo de uma nova fase da Operação Contenção, deflagrada nesta terça-feira (16) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, o esquema movimentou centenas de milhões de reais e teve como finalidade financiar a compra de armas e drogas para a facção criminosa.

De acordo com a polícia, o sistema financeiro ilegal era comandado por Edgar Alves de Andrade, o Doca, um dos líderes da cúpula do Comando Vermelho, e por Carlos da Costa Neves, o Gardenal, apontado como principal operador do esquema. Valores arrecadados com o tráfico em comunidades do Rio de Janeiro, de São Gonçalo e de Juiz de Fora, em Minas Gerais, eram direcionados para contas bancárias localizadas em Pontes e Lacerda, no Mato Grosso, município próximo à fronteira com a Bolívia.

A Justiça determinou o sequestro de diversos bens utilizados pela quadrilha, incluindo duas fazendas, 32 veículos e o bloqueio de aproximadamente R$ 600 milhões. A suspeita é de que as propriedades rurais no Mato Grosso, uma delas com cerca de 183 hectares, fossem usadas de alguma forma para dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos.

As investigações indicam que o esquema movimentou cerca de R$ 630 milhões em um período de dois anos. Parte desse dinheiro teria sido destinada à compra de cocaína e ao armamento utilizado pela facção em áreas dominadas pelo grupo criminoso. Os depósitos eram realizados por meio de “mulas financeiras”, pessoas usadas para fracionar e pulverizar os valores em contas correntes.

Segundo a Polícia Civil, os recursos tinham origem em áreas como o Morro da Mangueira, Manguinhos, Final Feliz, em Guadalupe, Complexo do Chapadão, em Costa Barros, Complexo da Penha e Jardim Catarina, em São Gonçalo, além de Juiz de Fora. Pelo menos 25 pessoas suspeitas de integrar o esquema estão sendo investigadas, incluindo um agropecuarista identificado como responsável pelas contas usadas no Mato Grosso.

O Doca e o Gardenal determinavam o envio dos valores arrecadados com a exploração territorial e a venda de drogas para serem depositados por mulas financeiras. Tudo era pulverizado em duas contas com destino ao Mato Grosso. Identificamos o proprietário dessas contas, que se apresenta como agropecuarista, mas atua como um dos principais lavadores de dinheiro do Comando Vermelho — afirmou o delegado Jefferson Ferreira do Nascimento, da Draco.

Para cumprir 39 mandados de busca e apreensão, a operação contou com agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, da Coordenadoria de Recursos Especiais e de outras unidades do Departamento-Geral de Polícia Especializada, além do apoio das polícias civis de Minas Gerais e do Mato Grosso.

Segundo a corporação, a investigação teve início há cerca de um ano, a partir de informações repassadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras. O material apreendido será analisado e deve subsidiar novas fases da apuração, incluindo pedidos de prisão e aprofundamento na quebra de sigilos fiscal e bancário.

A Polícia Civil destacou que o funcionamento do Comando Vermelho vai além do tráfico de drogas e depende de uma estrutura sofisticada de lavagem de dinheiro, responsável por ocultar, movimentar e reinserir valores ilícitos no sistema financeiro formal.

Limpatech