Largo da Carioca: PMs Transformam Praça Histórica em Estacionamento Privado

Praça Histórica em Estacionamento Privado

Largo da Carioca: Espaço Público Virando Garagem Privada de PMs Gera Revolta

A presença policial no Largo da Carioca, no coração do Rio de Janeiro, é vista como essencial para a segurança da região. Em meio a desafios como furtos, roubos e desordem pública, a base da Operação Segurança Presente oferece proteção a cidadãos, trabalhadores e turistas.

No entanto, o que se observa é uma apropriação indevida do espaço público. Veículos particulares de policiais militares e outros funcionários da operação têm ocupado a praça, transformando-a em um estacionamento privado.

Essa situação, que ignora a legislação e o patrimônio histórico local, tem gerado críticas e revolta. Conforme informações apuradas pelo DIÁRIO DO RIO, a estrutura policial avança sobre o Largo, utilizando grades para delimitar uma área reservada para os carros, como se fosse uma garagem particular.

Ocupação Indevida e Desrespeito ao Patrimônio

Fotografias revelam uma cena preocupante: diversos automóveis particulares estacionados sobre o piso de pedras portuguesas do Largo da Carioca, protegidos pelas grades azuis que demarcam a chamada “área militar”. A situação se agrava com a presença de camelôs clandestinos vendendo mercadorias em meio ao caos sonoro e visual.

Essa prática, que ocorre próximo à histórica Igreja de São Francisco da Penitência, um tesouro do barroco brasileiro tombado pelo Iphan, é vista como um descaso com o patrimônio e com o uso adequado do espaço público. A PM, em vez de garantir a ordem, parece criar um ambiente de privilégio para seus agentes.

Alternativas Ignoradas e a Comodidade em Detrimento da Lei

A crítica não se volta contra a necessidade de policiamento, mas sim contra a transformação de uma praça pública em um estacionamento particular. O Centro do Rio dispõe de diversas opções de estacionamento, como o Terminal Garagem Menezes Côrtes e garagens particulares na região, além da tradicional garagem da Cinelândia.

A comodidade de estacionar gratuitamente e próximo ao local de trabalho, protegidos por grades, não justifica a apropriação de um espaço que pertence a todos. O que se vê é um mau exemplo do próprio Estado, que deveria zelar pelo bem público.

Questionamentos sobre Autoridade e Fiscalização

A situação levanta questionamentos sobre quais autorizações permitem que carros particulares de agentes e funcionários ocupem permanentemente a praça e que grades sejam utilizadas para reservar esse espaço. Enquanto o poder público age para retirar camelôs ilegais e desobstruir calçadas, a própria estrutura estatal contribui para a depreciação da área.

O DIÁRIO DO RIO entrou em contato com a SEOP, a Guarda Municipal e a PM. A SEOP indicou a Guarda Municipal, que, assim como a PM, não respondeu até o fechamento da matéria, deixando a situação sob um manto de silêncio e inação.

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