Kamillà Karválho celebra avanços da diversidade no Carnaval 2026 ao refletir sobre a presença cada vez mais ativa da comunidade LGBTQIAPN+ nos desfiles do Rio de Janeiro. Rainha de bateria da Vizinha Faladeira, ela segue para o quarto ano consecutivo à frente da Ritmo Pioneiro e reforça o simbolismo de sua trajetória na Avenida.
Primeira mulher trans a ocupar o posto de rainha de bateria no Carnaval carioca, Kamillà avalia que houve mudanças significativas desde que passou a integrar o mundo do samba em posições de destaque. “Quando cheguei ao Carnaval, a comunidade LGBTQIAPN+ aparecia muito mais como figurante. Hoje, estamos em posições de protagonismo e até como tema de enredos. Sinto que estamos sendo aceitas”, afirmou.
Cria do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, Kamillà iniciou sua história no samba ainda aos 14 anos, desfilando pela própria Vizinha Faladeira. Em 2018, ela já havia entrado para a história ao se tornar a primeira mulher trans a desfilar como musa no Grupo Especial, pela escola Acadêmicos do Salgueiro.
Mesmo dividindo a rotina entre o Rio de Janeiro e cidades como Londres e Paris, a sambista mantém vínculo constante com o Carnaval. “O Carnaval é o meu grande amor. Mesmo passando períodos fora do Brasil, nunca me afasto dessa paixão. Para estar na Avenida, é preciso entrega total, preparo e respeito pela história do samba”, declarou.
Apesar dos avanços, Kamillà ressalta que ainda há desafios importantes a serem enfrentados, especialmente no aumento da presença de mulheres trans em cargos de maior visibilidade dentro do Grupo Especial. “As conquistas são importantes, mas ainda precisamos ampliar esses espaços e combater o preconceito”, destacou.
Ela também observa uma transformação no padrão estético dos desfiles nos últimos anos, com mais diversidade de corpos e histórias ganhando espaço. “Hoje vemos mulheres com diferentes corpos, histórias e trajetórias desfilando com mais liberdade. Isso torna o Carnaval mais real”, concluiu.
No Carnaval 2026, a presença de Kamillà Karválho à frente da bateria da Vizinha Faladeira reforça o papel da folia como espaço de expressão, inclusão e representatividade, refletindo mudanças que ultrapassam a Avenida e dialogam com a sociedade.














