Justiça do Rio mantém presos ex-presidente do Instituto Rio Metrópole e outros 3 por desvios milionários

Davi Perini Vermelho

Justiça do Rio mantém presos ex-presidente do Instituto Rio Metrópole e outros 3 por desvios milionários

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu manter a prisão de quatro pessoas ligadas ao Instituto Rio Metrópole (IRM), incluindo o ex-presidente Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê. Eles são suspeitos de envolvimento em um esquema de desvio de verbas públicas que ultrapassa os R$ 80 milhões.

A decisão atende ao pedido do Ministério Público do Rio (MP-RJ), que investiga fraudes em licitações e direcionamento de contratos desde 2022. A gravidade das condutas e o montante desviado foram fatores determinantes para a manutenção das prisões pela desembargadora Mônica Tolledo de Oliveira.

Em contrapartida, o advogado Marcelo Lopes da Silva, ex-procurador-geral do estado e do IRM, foi o único a obter um habeas corpus. A decisão foi baseada em argumentos de que ele atuou dentro da rotina de consultoria jurídica, sem provas concretas de conluio com o esquema. As informações são do g1 Rio.

Detalhamento das prisões e do esquema

Além de Davi Perini Vermelho, continuam presos Maurício Silva Knoploch dos Santos, ex-diretor de Planejamento e Projetos do IRM; Amanda Íthala Santos da Paschoa, ex-gestora de contratos do IRM e nora de Maurício Knoploch; e Franquis Dias Nepomuceno, delegado da Polícia Civil do RJ e ex-diretor do IRM. Todos são suspeitos de participação ativa no esquema criminoso.

O esquema, conforme denúncia do MP-RJ, envolvia licitações fraudulentas. Empresas como a Engeconsult Consultores Técnicos e a R Peotta Engenharia e Consultoria foram contratadas pelo IRM a partir de 2022. Posteriormente, essas empresas teriam celebrado subcontratos fictícios com o Instituto Bio para repassar parte dos valores recebidos.

O dinheiro depositado no Instituto Bio era sacado em espécie, com a escolta da empresa de vigilância Rioforte, que seria de propriedade do delegado Franquis Dias. Essa dinâmica aponta para um controle rigoroso do fluxo financeiro ilícito.

O caso da “Mulher da Mala”

A investigação também aponta para aditivos contratuais milionários. Somente em 2023, a Engeconsult recebeu um acréscimo de R$ 58 milhões. Caroline Soares Barros, apelidada de “Mulher da Mala”, foi detida em janeiro ao tentar sacar R$ 500 mil em espécie em uma agência bancária, escoltada por funcionários da Rioforte. Ao todo, ela realizou 13 saques que somam pouco mais de R$ 3 milhões.

Até o momento, não há informações sobre pedidos de habeas corpus em favor de Caroline Soares Barros.

Liberdade para ex-procurador com ressalvas

O advogado Marcelo Lopes da Silva obteve liberdade após a Justiça considerar que ele, como ex-procurador-geral do IRM, apenas emitiu pareceres jurídicos dentro da rotina, sem envolvimento direto em práticas ilícitas. A defesa sustentou que suas análises eram baseadas na legislação vigente.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) também atuou em defesa das prerrogativas do advogado público, argumentando que ele foi preso durante o exercício da profissão. A magistrada, ao conceder o habeas corpus, destacou a diferença entre a atuação de um procurador e a de gestores com poder decisório e de autorização de pagamentos.

A ausência de risco de reiteração delitiva também foi um fator considerado, uma vez que Marcelo Lopes já havia pedido exoneração do cargo antes da operação e estava afastado de funções públicas por determinação judicial. A decisão ressalta que, para o ex-procurador, não foram encontradas provas concretas de conluio, como troca de mensagens ou movimentações financeiras suspeitas.

O g1 tenta contato com as defesas dos demais citados na investigação.

Limpatech