A Justiça mantém prisão de Daniel Vorcaro por fraude no Banco Master após decisão da desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. No despacho, divulgado nesta quinta-feira (20), a magistrada rejeitou o pedido de liberdade feito pela defesa do banqueiro, preso desde segunda-feira (17) em ação da Polícia Federal.
Segundo a desembargadora, há risco concreto para o andamento das investigações caso Vorcaro seja solto. “A interrupção dos atos criminosos faz-se imperiosa”, afirmou. “A liberdade do paciente, neste cenário de fraude sistêmica e obstrução da fiscalização, representa risco concreto.”
A prisão do empresário decorre de uma investigação que aponta irregularidades envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O inquérito indica que operações foram realizadas para prolongar artificialmente a sobrevivência da instituição financeira de Vorcaro, enquanto o Banco Central analisava uma proposta de venda do Master — negócio vetado em março deste ano.
De acordo com a PF, o Master negociou com o BRB a venda de carteiras de crédito, supostamente para captação de recursos. Para as autoridades, essas transações tinham o objetivo de driblar o Banco Central, criando uma aparência de saúde financeira. O Ministério Público Federal reforça que parte desses créditos teria sido adquirida de uma empresa ligada a um ex-funcionário, sem pagamento efetivo, e posteriormente revendida ao BRB, resultando em R$ 12,2 bilhões movimentados entre janeiro e maio de 2025.
Auditores do Banco Central relataram ainda inconsistências na origem dos títulos apresentados como garantias. Inicialmente vinculados a associações de servidores da Bahia, os créditos passaram a envolver CPFs de várias regiões do país, sem correspondência com fluxo financeiro real — um forte indício de “insubsistência”, nas palavras do BC.
Após novo questionamento, a titularidade dos contratos foi atribuída à empresa Tirreno, criada no fim de 2024 por uma pessoa que abriu outras firmas semelhantes. Para os investigadores, trata-se de indício de uma empresa de fachada usada para viabilizar as operações suspeitas.
Com a decisão da Justiça, Vorcaro seguirá preso enquanto o caso avança, incluindo apurações sobre possíveis fraudes bilionárias e práticas de engenharia financeira envolvendo o Banco Master e instituições parceiras.














