Justiça dá 60 dias para Prefeitura do Rio restaurar túmulo de Deodoro

A Justiça determinou que a Prefeitura do Rio apresente em até dois meses um cronograma definitivo para recuperar o Monumento ao Marechal Deodoro da Fonseca, no Centro. O conjunto histórico sofre com furtos e abandono desde 2020.

Prazo judicial e risco de multa para o município

A decisão judicial estabelece um limite de 60 dias para o município detalhar as datas das obras na Praça Deodoro, na região central da cidade. Caso a administração municipal descumpra a ordem, terá de pagar multa diária fixada em R$ 500, com teto acumulado de até R$ 50 mil.

O monumento foi inaugurado em 1937 e possui grande relevância nacional. A estrutura não é apenas uma homenagem escultórica, mas funciona também como mausoléu oficial, guardando os restos mortais do primeiro presidente do Brasil e de sua esposa.

A obrigação de recuperar o espaço público foi imposta pela Justiça no final de 2020. A ação começou dez meses após criminosos arrancarem e levarem a estátua de bronze de Rosa da Fonseca, mãe do marechal, que pesava 400 quilos e media dois metros de altura.

Peças de bronze serão trocadas por réplicas de resina

O projeto de recuperação recebeu sinal verde do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, o Inepac, mas com condições específicas. Em vez de novas fundições em bronze, os itens levados pelos vândalos serão substituídos por cópias feitas em resina resistente.

Técnicos do patrimônio estadual reconhecem que a resina sofre mais desgaste diante de sol e chuva contínuos. Contudo, a decisão buscou evitar que novos ataques de quadrilhas de ferro-velho destruam novamente as peças em busca do metal para revenda clandestina.

Além da grande figura da mãe do marechal, outros adornos e placas menores arrancados do pedestal original também serão refeitos com o mesmo material sintético. A medida tenta equilibrar a preservação visual e a segurança do local.

Demora burocrática travou as obras por anos

Documentos que constam na ação mostram que a burocracia atrasou o início das reformas por anos seguidos. O Inepac solicitou correções e detalhes técnicos complementares à Prefeitura ainda no ano de 2022 para dar andamento ao processo.

As informações solicitadas pelo órgão estadual demoraram muito a serem enviadas pela equipe municipal. Esse desencontro de dados atrasou a emissão do parecer final, fazendo com que o túmulo histórico permanecesse deteriorado no Centro da capital fluminense.

Quem passa a pé pelo local diariamente relata que a falta de conservação atrai sujeira e passa sensação constante de abandono. O ponto fica perto de corredores movimentados de transporte público e de prédios comerciais da região.

Como denunciar vandalismo e receptação

O furto de peças históricas alimenta o comércio ilegal de sucata e prejudica a memória da cidade. O cidadão que presenciar atos de vandalismo ou souber de depósitos que compram peças públicas pode denunciar de maneira totalmente sigilosa.

  • Disque Denúncia: telefone (21) 2253-1177, com atendimento anônimo disponível 24 horas por dia.
  • Polícia Militar: acione o telefone 190 imediatamente em caso de flagrante de furto ou depredação na rua.
  • Guarda Municipal: denúncias de conservação e rondas na área central podem ser abertas pela Central 1746 da Prefeitura.

As investigações sobre furtos de bens tombados no Centro ficam a cargo das delegacias da área e contam com o apoio da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Civil.

O que muda na rotina de quem passa pelo Centro

Durante a montagem dos canteiros e a instalação das novas estruturas de resina, pedestres que circulam pela Praça Deodoro devem encontrar isolamentos pontuais no piso do largo. O trânsito de veículos no entorno da praça não deve sofrer bloqueios pesados, pois as intervenções ficam restritas ao canteiro do monumento.

A previsão é que os pedestres ganhem um espaço mais iluminado após a entrega da reforma. A expectativa da Justiça é que o cronograma detalhado estabeleça o início imediato dos trabalhos para que o túmulo volte a ter a dignidade preservada.

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