Justiça manda bloquear bens e fixa indenização a viúva de Marielle Franco

Marielle Franco e Mônica Benício eram casadas

A justiça manda bloquear bens e fixa indenização aos réus confessos pelo assassinato da vereadora Marielle Franco. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu, nesta terça-feira (10), que Ronnie Lessa e Élcio Queiroz deverão pagar indenização de R$ 200 mil por danos morais a Mônica Benício, viúva da parlamentar.

Além da indenização, a decisão da 29ª Vara Cível do Rio determinou o bloqueio de todos os bens dos condenados e o pagamento de pensão mensal correspondente a dois terços da remuneração que Marielle recebia, incluindo 13º salário e férias. O processo tramita em segredo de Justiça, e ainda cabe recurso por parte dos réus.

Na sentença, o juiz Marcos Antonio Ribeiro de Moura Brito destacou os impactos profundos causados pelo crime. “O homicídio de sua companheira ocasionou profundo abalo emocional, psicológico e existencial, além de graves repercussões de ordem patrimonial”, escreveu o magistrado.

Mônica Benício afirmou que a decisão representa uma vitória simbólica e reforçou que a luta por Justiça vai além de qualquer reparação financeira. “Essa é uma vitória simbólica, que reconhece a interrupção da história que construíamos juntas e o futuro que nos foi negado. A luta por Justiça por Marielle e Anderson não é sobre dinheiro”, declarou, em depoimento ao jornal O DIA.

Ronnie Lessa e Élcio Queiroz foram condenados criminalmente em outubro de 2024 pelos assassinatos de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. As penas somam dezenas de anos de prisão, e ambos respondem por crimes como duplo homicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio.

Além da indenização à viúva, os condenados também foram responsabilizados pelo pagamento de pensões e valores por danos morais a familiares das vítimas. O acordo de delação premiada firmado pelos réus prevê limites máximos de cumprimento de pena, condicionados à veracidade das informações prestadas.

A decisão cível reforça o reconhecimento institucional das consequências do crime e mantém vivo o debate sobre responsabilização, memória e Justiça em um dos casos mais emblemáticos da história recente do país.

Limpatech