Justiça do Rio solta jovem com 86 passagens após menos de um mês preso

Patrick Rocha Maciel

Patrick Rocha Maciel, jovem com 86 passagens pela polícia, voltou a ser liberado pela Justiça do Rio de Janeiro. Aos 21 anos, ele havia sido preso no fim de junho por uma série de furtos e invasões de domicílio na Zona Sul, incluindo a Avenida Atlântica, em Copacabana. Menos de um mês depois, deixou novamente o Presídio Evaristo de Moraes por decisão judicial.

Apesar do extenso histórico criminal, que inclui desde ameaças até lesões corporais, o juiz responsável pelo caso alegou que “inexistem dados concretos” que justificassem a prisão preventiva de Patrick. A decisão destaca que não se pode presumir que ele irá reincidir, argumentando contra o chamado “direito penal do autor”.

A nova soltura gerou indignação entre setores da segurança pública, especialmente após a juíza que o manteve preso em junho afirmar que a liberdade do jovem “representaria risco de reiteração delitiva e atentado à ordem pública”. A reincidência de Patrick em crimes logo após sair da prisão tem sido recorrente nos últimos anos.

Morador do Morro da Providência, Patrick começou a cometer delitos ainda criança. Foi levado à delegacia pela primeira vez aos 10 anos, acusado de furtar bicicletas. Entre os 10 e 17 anos, entrou 12 vezes no sistema socioeducativo do Degase. Aos 18, passou a cumprir pena no sistema penitenciário, de onde já saiu e retornou sete vezes.

Na infância e juventude, também foi registrado por uso de drogas, lesão corporal e participação em motins em unidades do Degase. Além do abandono escolar, sua trajetória inclui pedidos de ajuda social e jurídica por situação de extrema vulnerabilidade. Mesmo após apontar dificuldades para obter documentos básicos, assistência estatal foi limitada.

Em uma das prisões, Patrick chegou a assaltar um turista durante o Carnaval com um espeto de churrasco, roubando diversos pertences. Foi preso ainda no prédio, após denúncia dos vizinhos. Desde então, passou por diversas unidades prisionais, mas sempre conseguiu a liberdade pouco tempo depois.

A Defensoria Pública, em sua defesa, alegou que o jovem enfrenta fragilidade familiar e socioeconômica e que a prisão preventiva não pode se basear apenas no histórico criminal. Enquanto isso, a população e especialistas questionam até que ponto o sistema de Justiça é capaz de equilibrar garantias individuais com a segurança coletiva.

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