A Justiça do Rio condenou o torcedor do Peñarol Ezequiel Rodrigues a mais de seis anos de prisão por participação em uma confusão violenta no bairro do Recreio, Zona Oeste da cidade, em outubro de 2024. O tumulto ocorreu durante a passagem do clube uruguaio pela capital para disputar a semifinal da Copa Libertadores contra o Botafogo.
A sentença determina o cumprimento da pena em regime fechado pelos crimes de associação criminosa com uso de arma de fogo, corrupção de menores e incêndio. A soma das penas alcança seis anos e três meses de reclusão, além do pagamento de 13 dias-multa. O réu também deverá indenizar em R$ 5 mil o proprietário de uma das motocicletas incendiadas por ele durante os atos de vandalismo.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o episódio teve início em 23 de outubro, quando Ezequiel, um adolescente e outros integrantes da torcida organizada chegaram em ônibus particulares à Avenida Lúcio Costa, no Posto 12 do Recreio, e passaram a consumir bebidas alcoólicas em um quiosque. Após se recusarem a pagar pela conta, os torcedores iniciaram uma discussão com os funcionários do local.
Ainda segundo o MP, a situação se agravou com a passagem de torcedores do Botafogo pelo local. O grupo liderado por Ezequiel teria arremessado pedras, garrafas, mesas, cadeiras e caixas de cerveja contra funcionários, frequentadores e transeuntes. Eles também usaram pedaços de madeira e ferro para agredir pessoas, roubaram dinheiro do caixa do quiosque e praticaram gestos racistas imitando macacos.
Durante o tumulto, três motocicletas e um carro foram incendiados. Houve confronto com torcedores do Botafogo e com pessoas que estavam na região. Em depoimento ao jornal O Dia, Ezequiel admitiu ter iniciado o incêndio, alegando que queria chamar a atenção da polícia por temer agressões.
A decisão judicial, no entanto, refutou a versão do réu: “Visualiza-se cristalinamente o acusado em um espaço aberto com mais três pessoas incendiando as motocicletas, sem assédio de quem quer que seja; nesse ínterim, ninguém tentou agredir o acusado, ele circula e age livremente. Ademais, havia policiais no local observando todo o ato criminoso; o acusado não precisava praticar mais um crime para chamar a atenção policial, já havia atenção suficiente”, descreve a sentença. A juíza também destacou que “o estrangeiro aproveitou-se da agressão de seus comparsas contra os policiais justamente para poder cometer o delito tranquilamente, como efetivamente o praticou”.
Relembre o caso
A confusão envolvendo torcedores do Peñarol começou após o furto de um celular por um uruguaio em um comércio próximo à comunidade do Terreirão. Por volta do meio-dia, o grupo passou a depredar estabelecimentos na orla e a atacar banhistas e policiais militares. Motos foram incendiadas na Avenida Lúcio Costa, aumentando o clima de violência na região.
Pouco depois, um ônibus de turismo foi incendiado por moradores revoltados com os atos dos estrangeiros. Somente às 13h30, reforços da Polícia Militar conseguiram conter os confrontos e deter mais de 250 pessoas. Seis coletivos foram usados na ação — tanto da corporação quanto veículos de turismo.
Ao todo, 22 estrangeiros foram presos em flagrante e um adolescente foi apreendido. Outros 330 indivíduos passaram a responder por crimes relacionados à perturbação da ordem em eventos esportivos. Em novembro, a Justiça determinou a soltura de 10 torcedores, impondo medidas cautelares como proibição de frequentar eventos esportivos e de deixar o país até a conclusão do processo judicial.














