A Justiça do Rio de Janeiro decidiu manter Rogério de Andrade em um presídio federal de segurança máxima fora do estado por mais um ano. O contraventor, considerado um dos líderes do jogo do bicho no Rio, segue preso no Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, para onde foi transferido em novembro de 2024.
De acordo com a decisão do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), a prorrogação é necessária para evitar possíveis interferências do bicheiro em investigações e processos que ainda estão em andamento. A medida também leva em conta o risco à segurança pública, já que Rogério é apontado como chefe de uma organização criminosa com ramificações em homicídios, corrupção e lavagem de dinheiro.
O tribunal destacou ainda que o contraventor mantém fortes vínculos com agentes da segurança pública, o que reforça a necessidade de sua permanência em regime disciplinar diferenciado (RDD), no qual o preso cumpre isolamento em cela individual e tem contato externo restrito.
Antes da transferência, Rogério de Andrade estava detido em uma cela isolada de 6 m² em Bangu 1, unidade de segurança máxima do Complexo de Gericinó, no Rio.
Preso em 2024, o bicheiro é acusado de ser o mandante do assassinato de Fernando Iggnácio, ocorrido em novembro de 2020, no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste da capital. A vítima, sobrinho de Castor de Andrade, foi morta com três tiros após desembarcar de um helicóptero.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ), o crime foi executado por comparsas de Rogério, entre eles três policiais militares e um PM da reserva, investigados por participação direta na execução. O conflito teria sido motivado pela disputa de pontos do jogo do bicho na cidade.
Rogério e Fernando Iggnácio eram, respectivamente, genro e sobrinho do lendário contraventor Castor de Andrade, morto em 1997. Desde então, a rivalidade entre os dois ramos da família se intensificou, resultando em confrontos e atentados ao longo dos anos.
Com histórico de prisões e liberações judiciais, Rogério de Andrade chegou a cumprir medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar, mas voltou a ser preso após novas investigações sobre sua atuação criminosa.
A Justiça reforçou que o contraventor ainda representa ameaça concreta e relevante à sociedade, justificando sua manutenção no sistema prisional federal, onde o controle e o monitoramento são mais rigorosos.














