Justiça de SP nega R$ 163 milhões a Willer Tomaz por perdas em apostas na Blaze; advogado alegou vício e falhas no site
A Justiça de São Paulo negou o pedido do advogado Willer Tomaz para recuperar R$ 163 milhões que ele alega ter perdido em apostas na plataforma Blaze. Tomaz buscava reaver o valor alegando vício em jogos de azar e falhas no funcionamento do site.
O juiz Guilherme Madeira Dezem, da 44ª Vara Cível de São Paulo, foi o responsável pela análise do caso. Ele destacou que o próprio advogado solicitou condições especiais para realizar apostas de alto valor, como a criação de mesas exclusivas de blackjack e aumentos sucessivos nos limites de operação, chegando a R$ 500 mil por jogada.
Na decisão, Dezem afirmou que o autor “solicitou pessoalmente e obteve a criação de mesas privativas e exclusivas de apostas em valores exorbitantes”. O magistrado considerou que o sofrimento decorrente da perda de grandes quantias em jogos de azar é consequência direta dos riscos assumidos pelo próprio apostador.
“O dissabor, a angústia e o abalo emocional decorrentes da perda de vultosos valores em jogos de azar eletrônicos constituem consequências diretas e imediatas do risco intrínseco e voluntariamente assumido pelo apostador”, escreveu o juiz.
Willer Tomaz e a relação com a Blaze: apostas milionárias e atendimento VIP
Conforme revelado pelo Metrópoles, Willer Tomaz apostou quase R$ 5 bilhões em jogos online no ano de 2025. Somente na Blaze, a movimentação financeira entre ganhos e perdas atingiu R$ 10 bilhões. No período, o advogado perdeu R$ 163 milhões para a casa de apostas.
A relação com a plataforma era de atendimento VIP. Após comprovar renda com repasses milionários de seus escritórios de advocacia e de uma emissora de televisão maranhense, Tomaz passou a ter um funcionário dedicado a atendê-lo pelo WhatsApp.
Conversas anexadas ao processo mostram o advogado irritado com a necessidade de reconhecimento facial para saques de R$ 100 mil. Ele reclamou que isso dificultava o jogo e solicitou o aumento do limite para R$ 500 mil por saque, o que foi prontamente atendido pela Blaze com uma solução que burlava a regulamentação federal.
Apostas durante viagem com Flávio Bolsonaro e movimentação financeira
Em janeiro de 2025, Willer Tomaz viajou dos Estados Unidos ao Brasil em uma aeronave administrada por uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, na mesma ocasião em que deu carona ao senador Flávio Bolsonaro (PL). A proximidade entre os dois já foi tema de diversas reportagens.
O relatório da Polícia Federal que embasou uma operação recente aponta Willer como um “verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” de investigados pela Máfia do INSS. O pedido de reparação negado pela Justiça foi feito três dias antes de Tomaz ser alvo de uma operação policial.
O relatório financeiro de Tomaz na Blaze em 2025 indicou ganhos de R$ 4,8 bilhões em jogos de cassino e perdas de R$ 4,963 bilhões, resultando em um prejuízo líquido de R$ 163 milhões. Em apostas esportivas, ele teve um lucro de R$ 39 mil.
Justiça considera riscos assumidos pelo apostador e nega devolução
O juiz Guilherme Madeira Dezem baseou sua decisão no fato de que o próprio Willer Tomaz buscou e obteve condições especiais para apostar valores expressivos. A criação de mesas exclusivas e o aumento dos limites de apostas foram pontos cruciais para a negativa.
A Justiça entendeu que as perdas financeiras são uma consequência direta e voluntária dos riscos assumidos pelo jogador, afastando a responsabilidade da plataforma de apostas no caso em questão.
Apesar de negar a devolução do dinheiro, o magistrado determinou que a plataforma Blaze não importune mais o advogado, encerrando a relação de cobrança ou comunicação referente às dívidas.












