A decisão sobre a tirolesa no Pão de Açúcar marcou um novo capítulo na disputa judicial envolvendo o projeto turístico na Zona Sul do Rio. A Justiça Federal determinou a suspensão definitiva da obra e estabeleceu uma indenização milionária à empresa responsável.
Segundo a sentença, a autorização concedida anteriormente para a construção da atração apresentou falhas importantes, como ausência de justificativas técnicas consistentes e falta de debate público. Com isso, qualquer intervenção entre os morros da Urca e do Pão de Açúcar está proibida.
Além de barrar o projeto, a decisão obriga a empresa a pagar R$ 30 milhões por danos morais coletivos. O valor será destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, considerando a relevância do local como patrimônio cultural e ambiental.
A empresa também terá que apresentar um plano de recuperação da área afetada em até 60 dias, incluindo a retirada de estruturas e materiais instalados. Outro prazo de 120 dias foi estipulado para a elaboração de um plano de gestão do espaço, sem alterações na ocupação já existente.
O projeto da tirolesa previa a criação de uma atração turística entre dois dos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro, com extensão de mais de 700 metros e alta velocidade. A proposta, no entanto, enfrentou resistência desde o início.
O local é reconhecido como patrimônio histórico nacional e também como Patrimônio Mundial, o que intensificou o debate sobre os impactos ambientais e visuais da obra.
A disputa judicial se arrasta desde o anúncio do projeto, em 2022, com decisões favoráveis e contrárias ao longo dos anos. Em determinado momento, houve autorização para a continuidade das obras, mas o tema permaneceu em análise.
A nova decisão retoma o entendimento contrário à instalação da atração, destacando problemas no processo de licenciamento e a ausência de participação da sociedade na discussão.
Em nota, a empresa responsável informou que recebeu a decisão com surpresa e que está avaliando as medidas cabíveis. Já o órgão responsável pelo patrimônio afirmou que ainda não foi oficialmente notificado.
O caso segue em debate e pode ter novos desdobramentos, enquanto a decisão atual reforça a proteção de um dos cenários mais emblemáticos do país.














