Justiça adia audiência do caso PCS Lab Saleme

PCS Lab Saleme

A Justiça adia audiência do caso PCS Lab Saleme, que apura a contaminação de pacientes com HIV após transplantes no Rio de Janeiro. A sessão, que aconteceria nesta segunda-feira (26), foi remarcada pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, que determinou a necessidade de novas apurações e a inclusão de documentos no processo antes de ouvir os réus. Até o momento, não há uma nova data definida.

De acordo com informações do jornal O Dia, entre os seis réus estão os sócios do laboratório PCS Lab Saleme, Walter Vieira e Matheus Sales Vieira, além dos funcionários Ivanilson Fernandes dos Santos, Cleber de Oliveira Santos, Jacqueline Iris Barcellar de Assis e Adriana Vargas dos Anjos.

O grupo responde por acusações de falsidade ideológica, associação criminosa e lesão corporal, após investigações revelarem que o laboratório emitiu laudos falsos de sorologia, que não identificaram a presença do vírus HIV em órgãos de dois doadores. Seis pacientes foram contaminados.

Na última audiência, realizada em 14 de abril, prestaram depoimento três vítimas e seis testemunhas, incluindo duas chamadas pelo próprio juízo e quatro pelo Ministério Público. A nova audiência ficou suspensa até que os documentos complementares sejam analisados.

O escândalo, revelado em outubro de 2024, veio à tona após a Secretaria de Estado de Saúde do Rio confirmar que seis pacientes foram contaminados com HIV após receberem transplantes de órgãos cujos exames foram realizados pelo PCS Lab Saleme, localizado em Nova Iguaçu.

A empresa havia sido contratada pelo governo do estado através de licitação para realizar os exames de sorologia. Entretanto, a investigação revelou que os testes apresentaram resultados de falso negativo para o HIV, o que possibilitou que órgãos contaminados fossem transplantados.

Diante da repercussão, a Secretaria de Saúde suspendeu o contrato com o laboratório, que também foi interditado. As análises foram transferidas para o Hemorio, e uma sindicância interna foi instaurada.

Seis pessoas chegaram a ser presas em outubro de 2024, entre sócios e funcionários do PCS Lab Saleme. Eles foram liberados mediante habeas corpus no fim daquele ano, com a condição de não exercerem atividades profissionais no ramo de análises clínicas nem manterem contato com as vítimas.

O Ministério Público aponta que, além da emissão de laudos falsos, havia práticas de alteração dos protocolos de controle de qualidade, uso de documentos falsificados e uma estrutura criminosa montada para fraudar os exames.

A investigação também apura um suposto desvio de recursos públicos, já que os exames faziam parte de contratos com a Fundação Saúde, ligada ao governo estadual.

O caso segue sem data definida para o julgamento, mas a expectativa é de que novos desdobramentos ocorram nas próximas semanas, após a análise dos documentos adicionais solicitados pela Justiça.

Limpatech