Júri de ex-PMs acusados de executar Fernando Iggnácio entra na fase decisiva no Rio
O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro avança para os momentos cruciais no julgamento dos ex-policiais militares Pedro Emanuel D’Onofre Andrade e Otto Samuel D’Onofre Andrade, acusados do assassinato do contraventor Fernando Iggnácio. O processo, que teve início com depoimentos e exibição de provas, agora se concentra nas alegações finais.
A expectativa é de que a decisão sobre o caso, que chocou a Zona Oeste do Rio em 2020, seja proferida ainda nesta sexta-feira (17). Os irmãos D’Onofre respondem por homicídio triplamente qualificado, com acusações de motivo torpe, emboscada e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Durante o primeiro dia do julgamento, foram ouvidas seis testemunhas, e vídeos com declarações de outras pessoas que não puderam comparecer ao tribunal foram exibidos. Os réus, por sua vez, optaram pelo silêncio durante toda a audiência, deixando a análise das provas para os jurados. A informação é do G1.
Planejamento meticuloso aponta para crime premeditado
A investigação conduzida na época do crime revelou detalhes que sugerem um planejamento minucioso. O delegado Moyses Santana, responsável pela apuração, apresentou aos jurados informações sobre um voo panorâmico realizado por Pedro Emanuel D’Onofre Andrade três dias antes da execução. O objetivo, segundo a polícia, era reconhecer o trajeto exato que Fernando Iggnácio utilizava entre Ilha Grande e o Rio de Janeiro.
Este percurso, que foi reproduzido fielmente no dia do assassinato, teria servido para estudar a rotina da vítima e calcular o tempo necessário para a execução. A análise de dados telemáticos e de localização dos celulares dos acusados reforçou a tese de preparativos que se estenderam por meses antes do crime.
Imagens e dados celulares comprovam a acusação
O policial civil Luciano Konig detalhou como fotografias encontradas em dispositivos de Pedro Emanuel registraram o voo de reconhecimento. Além disso, as investigações apontaram que os acusados teriam monitorado câmeras de segurança após o assassinato, em uma tentativa de verificar se haviam sido filmados. A análise de imagens de monitoramento, que durou sete dias, acompanhou cerca de 45 quilômetros do trajeto de fuga, permitindo a identificação dos envolvidos.
As evidências coletadas pela Polícia Civil foram cruciais para a investigação, que também identificou Rodrigo Silva das Neves, já condenado pelo homicídio, e Ygor Rodrigues, conhecido como “Farofa”, que morreu em 2022 em um confronto. O trabalho detalhado permitiu chegar ao condomínio onde os suspeitos desembarcaram após o crime.
Mandante responde em processo separado
Segundo o Ministério Público, Fernando Iggnácio foi assassinado a mando de Rogério Andrade, apontado como um rival na disputa pelo controle do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Rogério Andrade foi preso em outubro de 2024 e responde por sua participação em um processo distinto. A Justiça e o Supremo Tribunal Federal (STF) mantiveram sua prisão preventiva, mesmo diante dos pedidos da defesa.
O julgamento dos irmãos D’Onofre foi separado após a condenação de Rodrigo Silva das Neves, que em abril deste ano recebeu uma pena superior a 32 anos de prisão pelo assassinato. Agora, os jurados concentrarão sua análise exclusivamente na responsabilidade de Pedro Emanuel e Otto Samuel D’Onofre Andrade pelos fatos apresentados no decorrer do processo.














