O julgamento de Bolsonaro no STF começou nesta terça-feira (2) e marca um momento histórico para a política brasileira. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) responde junto a sete ex-auxiliares, entre eles ex-ministros e comandantes militares, a acusações de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Bolsonaro, de 70 anos, teria liderado uma organização criminosa armada com o objetivo de permanecer no poder após a derrota nas eleições de 2022. Inelegível até 2030, o ex-presidente está em prisão domiciliar desde agosto, enquanto a defesa alega perseguição política.
O cronograma do julgamento prevê sessões até 12 de setembro, divididas entre turnos matutinos e vespertinos em alguns dias. O relator Alexandre de Moraes iniciou os trabalhos com a leitura do relatório, que será seguido pelas sustentações da PGR e das defesas.
A acusação da PGR inclui ainda um suposto plano golpista que previa decreto de estado de sítio e até atentados contra autoridades como o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. Além disso, o episódio reacendeu tensões diplomáticas: Donald Trump, aliado político de Bolsonaro, classificou o processo como “caça às bruxas” e impôs tarifas de 50% sobre parte das exportações brasileiras.
Os demais réus do processo são Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Walter Braga Netto e Mauro Cid. Caso as condenações sejam confirmadas, as penas somadas podem ultrapassar 40 anos de prisão.
Para garantir a segurança, a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes receberam reforço policial, além de vigilância aérea com drones equipados com câmeras térmicas. O julgamento é visto como inédito desde a redemocratização, sendo a primeira vez que um ex-presidente do Brasil enfrenta a Justiça por tentativa de golpe.














