A jovem Kethiny Evinlyn, de 24 anos, morreu após complicações durante uma cirurgia para correção no maxilar. O caso aconteceu em um hospital particular em Guaratinguetá e foi registrado pela família na delegacia por suspeita de erro médico.
Investigação apura falta de oxigênio durante operação bucomaxilofacial
Kethiny deu entrada na unidade de saúde na terça-feira (20/10) por volta das 13h para realizar o procedimento cirúrgico, que segundo parentes era muito aguardado por ela. Na noite anterior ao procedimento, a jovem gravou um vídeo relatando ansiedade e preocupação com a intervenção, chamando o momento de realização pessoal.
Segundo o boletim de ocorrência aberto pelos familiares, a jovem saiu do centro cirúrgico direto para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os médicos relataram à mãe da paciente que ela sofreu hipóxia cerebral, termo técnico que indica a falta ou interrupção de oxigênio no cérebro durante a operação.
A paciente permaneceu intubada, sedada e em estado crítico ao longo de dois dias. A morte foi confirmada pela equipe de plantão na madrugada de quinta-feira (22/10), após uma piora clínica severa. A família afirma que não recebeu explicações detalhadas sobre as causas exatas que provocaram a falta de oxigenação no cérebro.
O que já se sabe sobre o caso
Os parentes relatam que as justificativas passadas no corredor da unidade de saúde foram rasas e superficiais. A irmã da vítima relatou no registro policial que um membro da equipe médica mencionou problemas relacionados aos materiais cirúrgicos usados na intervenção.
A declaração levantou entre os parentes o temor de falha humana ou pane estrutural de equipamentos médicos. O corpo foi encaminhado para perícia técnica, onde exames necroscópicos devem detalhar a extensão do dano neurológico e apontar a causa exata do óbito.
Até o fechamento desta reportagem, a direção da unidade hospitalar e os responsáveis técnicos pela cirurgia não divulgaram laudos conclusivos. A equipe de reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações oficiais dos médicos envolvidos no caso.
Quem responde pela investigação do caso
A ocorrência foi encaminhada para a Polícia Civil de São Paulo, que abriu inquérito formal para checar se houve negligência, imperícia ou imprudência durante o procedimento estético e funcional. Todos os prontuários, fichas de anestesia e registros de monitoramento dos aparelhos do centro cirúrgico foram solicitados pelas autoridades.
Além da esfera policial, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e o Conselho Regional de Odontologia, a depender da formação dos cirurgiões atuantes no bloco, podem abrir sindicância administrativa para averiguar as condutas profissionais adotadas no atendimento.
Profissionais da área de saúde e testemunhas que estavam presentes dentro da sala operatória devem ser convocados pela autoridade policial nos próximos dias para prestar depoimento sobre a rotina da cirurgia.
O que fazer se você suspeita de erro médico
Familiares que enfrentam quadros de óbito ou lesões permanentes após procedimentos cirúrgicos devem adotar providências legais rápidas para garantir que as provas não sejam perdidas ou adulteradas:
- Exija o prontuário completo: Vá ao setor de arquivo médico do hospital e solicite cópia integral e numerada do prontuário, incluindo ficha anestésica, evolução de enfermagem e relatórios cirúrgicos. Por lei (Resolução CFM 1.821/2007), o hospital é obrigado a fornecer esse documento ao paciente ou seus herdeiros legais.
- Registre boletim de ocorrência: Compareça à delegacia mais próxima para formalizar a notícia-crime. Isso garante a requisição de exame no Instituto Médico-Legal (IML) antes da liberação do corpo para sepultamento.
- Acione o conselho profissional: Protocolize uma denúncia formal no Conselho Regional de Medicina (CRM) do seu estado, relatando datas, nomes da equipe e unidades hospitalares envolvidas.
- Guarde comprovantes e mensagens: Mantenha em segurança conversas de aplicativo, orçamentos, exames pré-operatórios e contratos assinados com a clínica ou o profissional responsável.
Como denunciar abusos em serviços de saúde
Qualquer cidadão que presenciar irregularidades no atendimento, falta de estrutura física ou suspeita de negligência em hospitais públicos ou conveniados pode recorrer à Ouvidoria Geral do Sistema Único de Saúde (SUS) pelo telefone 136, que atende em âmbito nacional com ligação gratuita.
No Estado do Rio de Janeiro, denúncias anônimas sobre práticas clandestinas ou clínicas sem alvará sanitário podem ser feitas diretamente ao Disque Denúncia pelo número (21) 2253-1177, com sigilo garantido durante as 24 horas do dia. O contato com a Defensoria Pública do Estado pode ser feito pelo número 129 para orientação jurídica inicial a famílias que não têm condições de contratar advogado particular.














