José Álvaro Moisés morre afogado no litoral de São Paulo aos 81 anos

José Álvaro Moisés

José Álvaro Moisés morreu afogado no litoral de São Paulo aos 81 anos, nesta sexta-feira (13), na praia de Itamambuca, em Ubatuba. O cientista político estava passando um período de férias quando o caso ocorreu.

Segundo informações divulgadas, José Álvaro Moisés estava hospedado na casa de amigas e aproveitava dias de descanso no litoral norte paulista. Equipes do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMAR) localizaram o professor na faixa de areia e iniciaram manobras de reanimação, mas ele não resistiu. A morte foi confirmada ainda no local.

Reconhecido no meio acadêmico, Moisés foi professor titular de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP). Ao longo da carreira, tornou-se referência nos estudos sobre democracia, instituições e participação política no Brasil.

A Associação Brasileira de Ciência Política lamentou a morte do sociólogo e destacou a relevância de sua trajetória.

“Sua trajetória acadêmica, marcada pelo rigor intelectual e pelo compromisso com a vida pública, deixa um legado incontornável para a área e para gerações de pesquisadoras e pesquisadores. Neste momento de tristeza, a ABCP manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos(as), colegas e estudantes”, afirmou em nota, em depoimento ao jornal O Dia.

José Álvaro Moisés também teve papel relevante na história política brasileira. Ele foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), no início da década de 1980, integrando o grupo de intelectuais que se uniu aos metalúrgicos do ABC, liderados por Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos últimos anos, no entanto, tornou-se crítico da legenda que ajudou a criar. Em 2010, chegou a afirmar que o então presidente Lula havia “passado dos limites”, demonstrando independência de posicionamento mesmo após décadas de envolvimento político.

A morte de José Álvaro Moisés repercute entre acadêmicos e lideranças políticas, reacendendo debates sobre sua contribuição intelectual e seu papel na consolidação da ciência política no país — um legado que atravessa gerações e continua presente nas discussões sobre democracia no Brasil.

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