Jornalista relata ataque racista e ameaça de morte em aplicativo de transporte
O jornalista e narrador esportivo Eduardo Hudson Oliveira utilizou suas redes sociais para denunciar um grave episódio de racismo e ameaça sofrido durante uma corrida por aplicativo na madrugada de sábado (11/7). O profissional alega ter sido expulso de um veículo após o motorista proferir ofensas racistas e ameaçar atirar nele.
Segundo o relato de Eduardo, ele solicitou a corrida em Samambaia (DF) com destino ao CÉu Azul, em Valparaíso (GO). Ao entrar no carro, o motorista informou que faria uma parada rápida em um banheiro no Hospital Regional de Samambaia. Ao retornar, o condutor teria ordenado que o jornalista deixasse o veículo imediatamente.
Quando questionado sobre o motivo da expulsão, o motorista teria dito: “Para a minha segurança, preto e favelado não entra no meu carro”. A declaração chocou o jornalista, que reforçou que seu destino não era uma área de risco.
Ameaça de Morte e Intervenção de Terceiros
A agressão verbal não parou por aí. De acordo com Eduardo Hudson, o motorista teria intensificado as ameaças, afirmando: “Beleza, mas desce do meu carro porque preto e favelado eu dou tiro na cara”. Consternado e temendo pela sua segurança, o jornalista buscou ajuda de um frentista de um posto próximo.
O caso foi prontamente comunicado à Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Os policiais orientaram Eduardo a registrar um Boletim de Ocorrência na 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte). O registro foi feito como ameaça e injúria racial, crimes que, segundo o jornalista, precisam ser combatidos com rigor.
Posicionamento do Aplicativo e Investigações
Eduardo Hudson entrou em contato com o aplicativo 99 Pop para relatar o ocorrido. Em resposta, a empresa informou ter bloqueado o motorista da plataforma e ofereceu um pedido de desculpas, acompanhado de um crédito de R$ 5, referente ao cancelamento da corrida. A 99 Pop declarou ter política de tolerância zero para comportamentos ofensivos e discriminatórios.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) confirmou que o caso será investigado. O nome do motorista não foi divulgado até o momento. Eduardo Hudson espera que o motorista responda criminalmente pelas suas ações, ressaltando que “o racismo é crime inafiançável e imprescritível”.
A Luta Contra o Racismo Estrutural
O jornalista enfatizou que o episódio não deve ser tratado como um “mal-entendido” ou um “fato isolado”, mas sim como uma demonstração da violência estrutural que ainda atinge a sociedade. Ele reforça a necessidade de combate rigoroso e com o máximo rigor da lei contra todas as formas de discriminação racial.
O caso de Eduardo Hudson Oliveira serve como um alerta sobre a persistência do racismo em diversas esferas da sociedade, inclusive em serviços de transporte por aplicativo, e a importância de denunciar e buscar justiça para combater essas práticas criminosas.














