Jards Macalé é velado nesta terça-feira na Sala Funarte Sidney Miller, localizada no Edifício Gustavo Capanema, no Centro do Rio. O músico, cantor e compositor, que morreu aos 82 anos nesta segunda-feira, será sepultado logo depois no Cemitério São João Batista. Ele estava internado desde o dia 1º de novembro em um hospital na Barra da Tijuca, onde tratava de problemas pulmonares, e sofreu uma parada cardíaca. Segundo a unidade de saúde, a causa da morte foi choque séptico e insuficiência renal.
A família divulgou uma nota emocionada sobre sua partida. Jards Macalé nos deixou hoje. Chegou a acordar de uma cirurgia cantando ‘Meu Nome é Gal’, com toda a energia e bom humor que sempre teve. Cante, cante, cante. É assim que sempre lembraremos do nosso mestre, professor e farol de liberdade. Agradecemos, desde já, o carinho, o amor e a admiração de todos. Em breve informaremos detalhes sobre o funeral. “Nessa soma de todas as coisas, o que sobra é a arte. Eu não quero mais ser moderno, quero ser eterno.” — Jards Macalé, diz o texto.
Nascido no Rio em 1943, Jards Anet da Silva iniciou sua trajetória artística nos anos 1960, quando teve sua primeira composição gravada por Elizeth Cardoso. Sua postura estética, marcada pela experimentação e pela recusa a fórmulas comerciais, fez com que se tornasse conhecido como o “anjo torto” da MPB, expressão usada pelo crítico Mauro Ferreira. Seu impacto começou a ganhar maior dimensão a partir de 1969, com a apresentação de “Gotham City” no Festival Internacional da Canção.
Em 1972, lançou o álbum que leva seu nome e que se tornaria referência por unir rock, samba, jazz, blues, baião e canção. Entre suas composições mais marcantes estão “Vapor Barato”, “Hotel das Estrelas”, “Mal Secreto” e “Anjo Exterminado”, obras que tiveram interpretações consagradas nas vozes de Gal Costa, Maria Bethânia e O Rappa. Nas redes sociais, Bethânia lamentou a perda do amigo. Meu amor, meu amigo… Fará muita falta neste mundo. , escreveu a artista.
Macalé também foi parceiro de nomes como Waly Salomão, Vinicius de Moraes, Torquato Neto e José Carlos Capinan, sempre defendendo liberdade criativa e explorando linguagens diversas. A aproximação com artistas igualmente avessos às imposições da indústria, como Luiz Melodia, reforçou sua imagem de criador inquieto e independente.
Caetano Veloso, que dividiu com ele momentos marcantes durante o exílio em Londres, fez homenagem emocionada. Sem Macalé não haveria Transa. Estou chorando porque ele morreu hoje. Foi meu primeiro amigo carioca da música. Antes de Bethânia imaginar que seria chamada para o Opinião, Alvaro Guimarães me levou ao Rio. Fui parar na casa de Macalé. E ele tocou violão. Me encantei. Ele tocou com Beta, lançou composições, chamei-o para Londres e: Transa. Na volta, seguimos na música. Que a música siga mantendo a essência desse ipanemense amado. Beijo carinhoso para Rejane, publicou.
Além de sua produção musical, Macalé atuou no cinema, na televisão, no teatro e nas artes plásticas ao longo de seis décadas de carreira. Participou de filmes de Nelson Pereira dos Santos e integrou trilhas de obras clássicas como “Macunaíma” e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”. Nos últimos anos, manteve vigor artístico e lançou o álbum “Besta Fera”, em 2019, aclamado pela crítica.
Sua despedida no Centro do Rio reúne admiradores que reconhecem não apenas sua importância musical, mas sua postura firme e inovadora dentro da cultura brasileira.














