Jacarés famintos mordem sacos plásticos em busca de comida no Recreio, Rio de Janeiro; resgates disparam 131%

Jacarés famintos mordem sacos plásticos

Jacarés-de-papo-amarelo confundem lixo com alimento em canais do Recreio dos Bandeirantes

A degradação ambiental e o descarte irregular de lixo na Zona Oeste do Rio de Janeiro têm gerado cenas preocupantes. Jacarés-de-papo-amarelo foram flagrados mordendo sacos plásticos e outros resíduos nos canais do Recreio dos Bandeirantes, em uma tentativa desesperada de encontrar alimento.

A presença constante desses répteis disputando espaço com detritos em corpos d’água como os canais das Taxas, de Sernambetiba e do Cortado, reflete a pressão do avanço urbano sobre o ecossistema local. A situação é alarmante e impõe riscos severos à fauna e à população.

Dados recentes do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) revelam um aumento expressivo nas ocorrências envolvendo jacarés. O número de capturas e salvamentos disparou 131% no primeiro semestre deste ano, superando em muito os registros de todo o ano anterior. Conforme informação divulgada pelo CBMERJ, foram 312 capturas entre janeiro e junho, contra 135 no mesmo período de 2022.

Habitat fragmentado e atração pelo lixo: a causa do problema

Segundo o médico-veterinário Flavio Fernando Batista Moutinho, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), o fenômeno é uma consequência direta da ocupação histórica de áreas úmidas na região. Bairros como Recreio, Barra da Tijuca e Jacarepaguá foram construídos em complexos lagunares e brejos.

“A circulação dos jacarés-de-papo-amarelo é comum nesses bairros porque foram construídos em complexos lagunares e brejos entre o mar e as montanhas. O descarte inadequado de lixo atrai o animal e gera episódios em que ele confunde detritos com alimento”, explica Moutinho.

Essa confusão entre alimento e lixo é um dos principais fatores que levam os jacarés a se aproximarem de áreas urbanas. Os sacos plásticos, em particular, podem ser confundidos com presas fáceis, representando um perigo para a saúde dos animais.

Resgates de jacarés disparam no estado do Rio de Janeiro

Os dados do CBMERJ são um alerta sobre a gravidade da situação. O acumulado de 312 resgates no primeiro semestre de 2023 já superou com folga os 256 casos registrados em todo o ano de 2022. As chamadas incluem desde o resgate de animais deslocados por chuvas até avistamentos em vias públicas e quintais.

O aumento nas ocorrências demonstra a pressão crescente sobre os habitats naturais e a necessidade urgente de ações de conscientização e fiscalização contra o descarte irregular de lixo.

O que dizem os órgãos públicos sobre a situação

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) informou que os resgates de animais silvestres em risco na capital são realizados pela Patrulha Ambiental do Município. A pasta também destacou que a Comlurb atua na remoção de resíduos das margens dos canais.

A Comlurb opera a limpeza quando a presença e o comportamento dos jacarés não representam risco imediato para as equipes de garis e limpeza. No entanto, a continuidade do problema indica a necessidade de soluções mais abrangentes para a gestão de resíduos e a preservação ambiental na região.

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