Jacaré toma sol em colchão no Rio Pavuna e mobiliza a Zona Norte

Moradores da Pavuna, na Zona Norte do Rio de Janeiro, tiveram uma surpresa inusitada nesta semana ao flagrar um jacaré descansando sobre um colchão velho descartado às margens do Rio Pavuna. O animal aproveitou o dia ensolarado para se aquecer no entulho flutuante, atraindo olhares de pedestres e vizinhos que passavam pelas pontes e calçadas da região.

Presença de jacaré no Rio Pavuna chama atenção de moradores

A imagem do réptil deitado confortavelmente no colchão rapidamente se espalhou entre os grupos de mensagens de moradores da Pavuna e de São João de Meriti, município vizinho da Baixada Fluminense cortado pelas mesmas águas. Embora a cena tenha arrancado risadas pela forma curiosa com que o animal se ajeitou, a aparição escancara dois problemas recorrentes na região: o descarte irregular de lixo e a proximidade perigosa entre a fauna urbana e as comunidades.

O Rio Pavuna sofre há décadas com o despejo constante de esgoto sem tratamento e de entulhos de grande porte, como móveis quebrados, restos de obras e eletrodomésticos. Esse acúmulo de sujeira acaba formando pequenas ilhas de detritos onde animais silvestres, especialmente da espécie jacaré-de-papo-amarelo, sobem para manter a temperatura do corpo regulada com a luz solar.

Quem transita pelo bairro relata que répteis aparecem com frequência no leito do rio, mas quase nunca sobre objetos domésticos tão evidentes. Muitos trabalhadores que caminham cedo pelas passarelas param assustados, temendo que os bichos consigam subir as encostas de concreto em dias de cheia ou maré alta.

Por que esses animais aparecem em canais urbanos?

O jacaré-de-papo-amarelo é uma espécie nativa da bacia da Baía de Guanabara e dos manguezais do estado. Mesmo com o alto nível de poluição da água, os animais encontram refúgio nas galerias pluviais, margens cobertas de mato e canais com pouca correnteza, onde caçam pequenos peixes, caranguejos e restos de comida atirados no lixo.

Biólogos e agentes ambientais destacam que o aumento do calor faz com que esses répteis procurem superfícies secas para fazer a termorregulação. Como as margens naturais de terra e vegetação foram substituídas por muros de contenção ou tomadas por moradias, os jacarés aproveitam pedaços de madeira, plásticos densos e sofás velhos para ficarem fora d’água.

O grande perigo acontece durante os períodos de temporais. Quando as fortes chuvas de verão atingem a Baixada e a Zona Norte, o nível da água sobe de forma repentina. Nesses episódios, os jacarés podem ser arrastados para ruas residenciais, quintais baixos e calçadas pavimentadas, aumentando o risco de acidentes com moradores e animais domésticos.

O que a população deve fazer ao encontrar o animal?

A recomendação das autoridades de resgate ambiental é direta: nunca se aproximar, nunca tentar alimentar e jamais atirar pedras ou paus para afugentar o bicho. O jacaré-de-papo-amarelo é um animal silvestre protegido por lei federal e pode reagir com botes rápidos caso se sinta ameaçado ou encurralado.

Se o jacaré estiver dentro do canal e sem risco imediato para a circulação de pedestres, a orientação é apenas manter a distância segura da beirada e vigiar crianças e cães de passeio. Contudo, se ele estiver em via pública, calçadas ou dentro de imóveis, os órgãos especializados devem ser acionados na mesma hora para realizar o resgate com redes e cambões apropriados.

Canais de atendimento para resgate de fauna silvestre

Quem encontrar animais silvestres fora de seu habitat natural ou em situação de risco na cidade do Rio de Janeiro pode recorrer a canais específicos de assistência e denúncia pública:

  • Central 1746: Canal oficial da Prefeitura do Rio para acionamento da Patrulha Ambiental, operada em conjunto com a Guarda Municipal e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O serviço funciona 24 horas por telefone ou aplicativo móvel.
  • Corpo de Bombeiros Militar (193): Deve ser chamado caso o animal ofereça risco imediato a pessoas em ruas, residências ou estabelecimentos comerciais, ou esteja ferido e preso em ferragens.
  • Comando de Polícia Ambiental (CPAM): Telefone (21) 2334-7634 para ocorrências de animais silvestres sob maus-tratos ou caça predatória no estado.
  • Linha Verde (Disque Denúncia): Telefone 0300 253 1177 para denúncias anônimas de despejo ilegal de entulho e crimes contra a fauna.

Os técnicos lembram ainda que o descarte de colchões e sofás em rios agrava os alagamentos em toda a extensão do Rio Pavuna. Para móveis sem uso, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) disponibiliza o serviço gratuito de remoção de bens inservíveis pelo telefone 1746, evitando que objetos pesados parem no fundo dos córregos da cidade.

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