A influenciadora digital pernambucana Ary Mirelle usou as redes nesta quinta-feira para celebrar o Dia do Nordestino. Ela aproveitou a data para responder abertamente a comentários preconceituosos que costuma receber na internet sobre a sua maneira de falar.
Orgulho da cultura regional e resposta aos preconceituosos
Aos 24 anos, a criadora de conteúdo, que é casada com o cantor de forró e piseiro João Gomes, afirmou que os ataques por causa de suas origens são frequentes. Segundo ela, as ofensas costumam focar no modo como se expressa nos vídeos gravados para o público.
Ary relatou que críticas maldosas tentam rebaixar seu sotaque, com frases sugerindo que ela fala de forma arrastada ou com preguiça. Em resposta, a jovem destacou que seu jeito de se comunicar faz parte de sua identidade pessoal e que não pretende mudar para agradar a quem critica.
Mãe de Jorge e Joaquim, Ary Mirelle reforçou a importância de ocupar espaços digitais mantendo a essência viva. Para a influenciadora, exibir danças, culinária local e tradições familiares serve para inspirar outras mulheres que saíram do Nordeste e enfrentam resistência em outros pontos do país.
Como o preconceito regional atinge a rotina do trabalhador
A situação enfrentada por figuras públicas reflete uma realidade comum a milhares de famílias que deixam os estados do Nordeste para tentar a vida em grandes capitais, como o Rio de Janeiro e São Paulo. Na Baixada Fluminense e na capital fluminense, comunidades inteiras foram erguidas com a força de migrantes nordestinos que continuam sofrendo piadas e discriminações veladas no trabalho, no transporte e nas ruas.
O desrespeito linguístico e regional muitas vezes afeta entrevistas de emprego e a convivência diária. Especialistas apontam que desqualificar a fala de alguém configura uma tentativa de desvalorizar a dignidade de quem construiu a base da economia brasileira.
O que diz a legislação brasileira sobre xenofobia
Discriminar pessoas com base na sua origem geográfica ou sotaque é crime previsto em lei federal no Brasil. Práticas de intolerância regional são enquadradas na Lei nº 7.716, que trata de crimes resultantes de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
As sanções para quem comete esse tipo de delito podem incluir penas de reclusão e multa, com agravantes caso as ofensas ocorram em plataformas virtuais ou redes de alcance público. A lei protege todo cidadão contra discursos que pretendam humilhar ou rebaixar determinado grupo cultural.
Como denunciar agressões e discriminação
Quem sofrer ou presenciar episódios de preconceito de origem regional conta com canais oficiais de acolhimento e investigação no estado do Rio de Janeiro e em todo o território nacional:
- Disque Denúncia RJ: atendimento pelo telefone (21) 2253-1177, disponível durante 24 horas por dia, com garantia total de sigilo anônimo.
- Disque 100: canal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, gratuito para ligações de telefone fixo ou celular em todo o país.
- Delegacias da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro: as ocorrências presenciais podem ser feitas na delegacia mais próxima de casa ou do trabalho, além do registro digital no portal da corporação para crimes praticados em redes sociais.
Ao formalizar a queixa, é fundamental reunir provas concretas, como capturas de tela das mensagens, links dos perfis responsáveis, áudios e contatos de testemunhas para agilizar as apurações policiais.














