O assassinato de mestre de capoeira em Niterói teve um novo avanço após a prisão da irmã da vítima, suspeita de envolvimento direto no crime. A ação foi realizada por agentes da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
A vítima, Paulo Cesar da Silva Souza, conhecido como Paulinho Sabiá, foi morto a tiros há cerca de dois meses, no bairro de Icaraí, na Zona Sul da cidade.
Segundo as investigações, Adriana Souza Possobom Aragão de Miranda é apontada como possível mandante do crime. De acordo com o delegado responsável pelo caso, ela já havia surgido como suspeita logo no início da apuração.
— É importante lembrar que ele havia sofrido uma tentativa de homicídio no dia 16 (de fevereiro) e a consumação do homicídio foi no dia 18. Em ambos os casos a gente conseguia ver muito claramente que os matadores possuíam uma informação privilegiada da localização e da rotina dele. Então, naturalmente, pessoas que estavam próximas dele poderiam ser suspeitas — disse o delegado Willians Batista, em entrevista ao RJ1.
A confirmação do envolvimento da suspeita, segundo a polícia, ocorreu após a prisão de um homem identificado como Juan Nunes dos Santos, conhecido como Coelho. Ele seria responsável por conduzir a motocicleta utilizada no crime.
— O Juan era o condutor da moto nas duas situações. No primeiro dia ele (o atirador) não conseguiu consumar (o homicídio) porque a arma havia falhado. Ao ser preso, Juan confessou a própria participação e confirmou o que já era nossa suspeita, o envolvimento da Adriana — afirmou o delegado.
O crime aconteceu em um cruzamento movimentado de Icaraí. A vítima estava no banco do carona de um carro, ao lado da namorada, quando os criminosos se aproximaram em uma motocicleta. O homem que estava na garupa efetuou os disparos.
A namorada não ficou ferida. O ataque ocorreu em uma noite de grande movimentação na região, durante comemorações relacionadas ao Carnaval.
A motivação do crime ainda não foi esclarecida pelas autoridades, que seguem investigando o caso.
Na época do assassinato, a própria irmã da vítima havia dado entrevista lamentando a morte.
— A namorada dele contou que eles estavam caminhando quando ela teve a impressão de ter ouvido uma arma falhar. Como era carnaval, achou que pudesse ser brincadeira porque tinha muita gente. Mas, depois, viram uma pessoa subir numa motocicleta. E registraram o caso na delegacia. Infelizmente, a gente não conseguiu evitar que o pior acontecesse.
— Meu irmão não tinha inimigos. Nada que a gente soubesse. Era incapaz de fazer qualquer mal a alguém. Nos anos 1980, quando a capoeira era uma coisa até um pouco agressiva, ele participou de um movimento para pacificar isso. A gente está muito perdido. Não sabemos quem pode ter feito isso com ele. O crime foi uma brutalidade — afirmou.
Paulinho Sabiá iniciou sua trajetória na capoeira nas ruas de Niterói e se tornou uma referência na modalidade. Ele integrou o tradicional Grupo Senzala e, anos depois, ajudou a fundar o Grupo Capoeira Brasil, que se expandiu para diversos países.
O avanço das investigações pode trazer novos elementos sobre o caso e esclarecer a motivação por trás do crime.
O desdobramento da investigação mantém o caso em evidência e deve seguir chamando atenção à medida que novas informações forem reveladas.














