A irmã de Mestre Sabiá presa teve a prisão temporária mantida após audiência de custódia realizada na Central de Custódias de Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Adriana Souza Possobom é apontada pela Polícia Civil como a mandante do assassinato do capoeirista Paulo Cesar da Silva Souza, conhecido como Mestre Sabiá.
Fundador do Grupo Capoeira Brasil, Mestre Sabiá foi morto com três tiros no dia 18 de fevereiro, no bairro de Icaraí, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. A investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí identificou indícios de que Adriana teria ordenado o crime.
Após a decisão judicial que manteve a prisão, a defesa da suspeita entrou com um pedido de habeas corpus em segunda instância, junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), solicitando que ela responda ao processo em liberdade. O pedido ainda aguarda análise por desembargadores de uma câmara criminal.
As investigações apontam que o crime foi precedido por uma tentativa de homicídio dois dias antes da execução. Na ocasião, um homem teria se aproximado pelas costas da vítima e apontado um revólver para sua nuca, mas a arma falhou. O suspeito fugiu na garupa de uma motocicleta, cuja movimentação foi registrada por câmeras de segurança, contribuindo para a identificação do piloto.
O motociclista, identificado como Juan Nunes dos Santos, foi preso e, segundo a polícia, também participou do assassinato de Mestre Sabiá, novamente pilotando a motocicleta utilizada na fuga dos executores. De acordo com as autoridades, ele teria apontado Adriana como a responsável por ordenar o crime.
A Polícia Civil informou que os executores do homicídio seriam oriundos do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Investigações indicam ainda que uma reunião teria ocorrido na região para definir os detalhes e o valor do pagamento pelo assassinato.
Segundo a apuração policial, Adriana teria oferecido R$ 50 mil para a execução do capoeirista, tendo pago inicialmente R$ 10 mil como adiantamento. A principal linha de investigação aponta para uma possível motivação financeira. Testemunhas relataram que a vítima possuía bens, como terrenos em Maricá, um automóvel, motocicletas antigas e aplicações financeiras que somariam cerca de R$ 100 mil.
Na época do assassinato, Adriana concedeu uma entrevista lamentando a morte do irmão, declaração que agora integra o conjunto de elementos analisados pelas autoridades. “Meu irmão não tinha inimigos, nada que a gente soubesse. Era incapaz de fazer qualquer mal a alguém. Nos anos 1980, quando a capoeira era algo até um pouco agressivo, ele participou de um movimento para pacificar isso. A gente está muito perdido. Não sabemos quem pode ter feito isso com ele. O crime foi uma brutalidade”, afirmou na ocasião.
Até o momento, a defesa de Adriana Souza Possobom não foi localizada para comentar o caso. As investigações seguem em andamento, e a Polícia Civil continua reunindo provas para esclarecer completamente as circunstâncias e a motivação do assassinato de Mestre Sabiá.














