O fim da jornada 6×1 pode ter impacto direto na redução das desigualdades do mercado de trabalho brasileiro, segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. A análise, que será divulgada nesta terça-feira (10), indica que as jornadas semanais mais longas concentram trabalhadores com menor renda e níveis mais baixos de escolaridade.
O levantamento foi elaborado com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2023 e integra uma nota técnica do instituto. De acordo com o estudo, contratos com carga horária de até 44 horas semanais estão mais associados a ocupações de baixa remuneração, maior rotatividade e menor estabilidade no emprego formal.
A análise aponta que trabalhadores submetidos às jornadas mais extensas tendem a receber salários inferiores e a ocupar postos com piores condições contratuais. Em contrapartida, vínculos com carga horária de 40 horas semanais aparecem com maior frequência em ocupações que exigem maior qualificação e apresentam rendimentos médios superiores.
Segundo os pesquisadores, essa diferença ajuda a explicar o potencial efeito redistributivo da mudança. Ao reduzir o limite máximo de horas semanais, o impacto seria proporcionalmente maior sobre os trabalhadores de menor renda, que hoje concentram as jornadas mais longas no mercado formal.
Os dados também revelam que setores com maior presença de trabalhadores menos escolarizados e com alta rotatividade concentram a maior parte dos contratos de 44 horas. Já jornadas reduzidas estão mais presentes em atividades que exigem maior nível de formação, o que contribui para a desigualdade salarial observada entre os grupos.
O estudo é divulgado em um momento em que o debate sobre a redução da jornada voltou ao centro da agenda pública. A discussão ganhou força com propostas para extinguir a escala 6×1, tema que figura entre as prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para este ano.
Defensores da mudança argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e estimular a geração de empregos. Já críticos apontam possíveis impactos sobre os custos das empresas e a produtividade, especialmente em setores que dependem de mão de obra intensiva.
A divulgação do estudo reacende o debate sobre como o tempo de trabalho se relaciona com renda, qualificação e desigualdade no Brasil, em um cenário no qual mudanças na legislação trabalhista voltam a ser discutidas como instrumento de política social e econômica.















