A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro investiga Carlos Eduardo Martins, identificado como o homem que puxou uma pessoa negra acorrentada na Barra da Tijuca. Ele é sócio de duas empresas com dívidas superiores a R$ 1 milhão com a União.
Empresas acumulam mais de R$ 1 milhão em débitos
O caso aconteceu na véspera do segundo turno das eleições, durante uma manifestação política em apoio ao senador Flávio Bolsonaro, na Zona Oeste da capital fluminense. As imagens gravadas na ocasião circularam nas redes sociais e mostram Carlos Eduardo conduzindo a vítima pelas ruas da Barra da Tijuca com correntes de ferro.
Registros oficiais obtidos no sistema público Dívida Aberta, mantido pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, apontam que o investigado administra empresas com pendências tributárias expressivas. Ao todo, as pendências chegam a mais de R$ 1,05 milhão junto aos cofres públicos.
A primeira firma sob responsabilidade do empresário é a Top Gran Comércio de Granitos e Mármores Ltda. Os registros da União mostram que o negócio acumula débitos tributários superiores a R$ 666 mil. Já a segunda companhia registrada em seu nome, a Cem Locação de Bens Móveis e Serviços Ltda., deve mais de R$ 386 mil ao Fundo de Garantia ou em tributos federais inscritos em dívida ativa.
O que já se sabe sobre a apuração da polícia
O episódio ocorreu no dia 24 de outubro, quando apoiadores políticos ocuparam vias do bairro da Zona Oeste. Na gravação que embasa a apuração policial, o homem conduzido pela corrente segurava um tridente decorativo e usava peças de vestuário e adesivos com referências diretas ao Partido dos Trabalhadores.
Enquanto arrastava o homem negro em via pública sob os olhares de pedestres e motoristas, Carlos Eduardo Martins gritava ofensas e palavras de ordem direcionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A cena gerou revolta imediata entre quem passava pela avenida e foi filmada por pessoas que estavam no local.
A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro analisa os vídeos para determinar a tipificação criminal do ato e apurar se houve coação, constrangimento ilegal ou crime de racismo e injúria. Os investigadores buscam ainda identificar se o homem acorrentado recebeu algum valor ou se sofreu ameaças diretas para participar da cena vexatória.
Até a publicação deste texto, a defesa de Carlos Eduardo Martins não havia se pronunciado publicamente sobre as imagens nem sobre a cobrança judicial dos valores devidos à União. O espaço segue aberto caso a representação jurídica do investigado queira apresentar esclarecimentos sobre o episódio ou sobre os processos tributários.
Como denunciar casos de agressão ou constrangimento
Qualquer cidadão que presenciar situações de humilhação pública, racismo ou violência nas ruas do Rio de Janeiro pode recorrer aos canais oficiais de denúncia e emergência da segurança pública estadual.
Em situações que estejam acontecendo no momento, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro por meio do telefone 190. A central telefônica atende 24 horas por dia e funciona de forma gratuita a partir de qualquer aparelho fixo ou telefone celular.
Para repassar informações anônimas sobre crimes em andamento ou paradeiro de investigados, a população pode ligar para o Disque Denúncia pelo número (21) 2253-1177. O serviço garante sigilo absoluto de quem fala e atende chamadas telefônicas e mensagens sem que o morador precise informar nome, endereço ou qualquer dado de identificação pessoal.
O que fazer se você foi vítima de violência política ou racismo
Quem sofrer qualquer tipo de constrangimento físico, coerção ou discriminação deve procurar uma unidade policial para registrar a ocorrência o mais rápido possível. Na região onde o fato ocorreu, os moradores contam com a 16ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca), situada na Avenida Érico Veríssimo, número 570.
Para registrar o boletim, a pessoa precisa levar um documento oficial com foto, como a Carteira de Identidade ou a Carteira Nacional de Habilitação, e indicar testemunhas do ocorrido, caso conheça alguém. Imagens de celular, áudios e links de postagens em redes sociais podem ser apresentados ao inspetor no momento do atendimento para acelerar a juntada de provas.
Nos casos em que não há lesão física evidente ou violência doméstica imediata, o cidadão do Rio de Janeiro também tem o direito de fazer o boletim online pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil, no endereço institucional ded.policiacivil.rj.gov.br. O documento gerado pela internet tem a mesma validade jurídica de um registro presencial e chega diretamente aos policiais do bairro correspondente.














