A investigação sobre o esquema do Banco Master ganhou novos desdobramentos após a Polícia Federal identificar supostas estratégias utilizadas para esconder documentos, operações financeiras e movimentações patrimoniais ligadas aos investigados.
As informações aparecem na decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou a quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7). A ação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Segundo a PF, mensagens e documentos apreendidos ao longo das investigações apontam para uma atuação coordenada voltada à ocultação de operações consideradas suspeitas pelas autoridades.
Entre os elementos destacados pelos investigadores está uma troca de mensagens atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro envolvendo a retirada de documentos da residência de um parlamentar.
Na decisão, o ministro André Mendonça reproduziu um trecho em que haveria orientação para que o transporte dos documentos não fosse associado ao político envolvido. O texto também mencionaria a necessidade de evitar qualquer referência ao Banco Master nos materiais utilizados durante a entrega.
Para a Polícia Federal, o conteúdo reforça a suspeita de tentativa de impedir o rastreamento da origem dos documentos e dificultar ligações entre o material, o banco e agentes políticos investigados.
Outro ponto destacado na investigação envolve o uso de mecanismos informais para realização de operações societárias. Segundo os investigadores, parte das movimentações teria sido feita por meio de contratos não formalizados oficialmente de imediato.
Um dos exemplos mencionados é a utilização de um chamado “contrato de gaveta” relacionado à aquisição de ações ligadas à Trinity Participações. Conforme a apuração, a estratégia teria sido utilizada para contornar restrições previstas em acordos societários.
Ainda de acordo com a decisão, o modelo permitiria que determinadas operações fossem realizadas sem chamar atenção de órgãos de fiscalização e controle financeiro.
A Polícia Federal também aponta que empresas ligadas ao grupo investigado teriam sido utilizadas para operacionalizar repasses financeiros, reorganizações societárias e pagamentos considerados suspeitos.
Segundo os investigadores, a suposta organização utilizava pessoas interpostas, empresas paralelas e contratos mantidos fora de registros imediatos para dificultar o rastreamento das movimentações financeiras.
Com base nesses indícios, o ministro André Mendonça autorizou medidas cautelares, buscas, bloqueio de bens e prisões temporárias dentro da nova etapa da Operação Compliance Zero.
As investigações continuam para aprofundar a análise das movimentações financeiras e identificar outros possíveis envolvidos no esquema do Banco Master, que segue sob apuração da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal.














