Incluir o signo no currículo pode parecer inusitado, mas prática exige cautela e atenção à ética

signo no currículo

Incluir o signo no currículo pode parecer inusitado, mas essa prática tem ganhado espaço em alguns processos seletivos voltados ao chamado fit cultural — conceito que busca avaliar o alinhamento entre valores, crenças e comportamentos de candidatos e empresas. Ainda assim, especialistas alertam que o tema exige cautela, principalmente quando se trata de ética profissional e proteção de dados.

Segundo a astróloga Cláudia Lisboa, o mapa astral pode oferecer orientações sobre vários aspectos da vida, inclusive a carreira, ao indicar potenciais e tendências pessoais. No entanto, ela ressalta que se trata de uma ferramenta íntima, baseada nas posições dos astros no momento do nascimento, e que não deve ser usada como critério de seleção profissional.

Questões éticas e discriminação

Em entrevistas de emprego, o foco deve estar nas habilidades e experiências do candidato. Perguntas sobre signo, religião, orientação sexual ou convicções políticas fogem desse escopo e podem ser consideradas discriminatórias. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) proíbe práticas seletivas baseadas em características pessoais que não interferem na capacidade técnica do trabalhador.

O professor Marco Túlio Zanini, da FGV, reforça: “As informações astrológicas dependem da fé de quem as estuda, e levá-las em consideração abre espaço para uma subjetividade absurda.”

Fit cultural x privacidade de dados

O interesse de empresas em conhecer o comportamento de candidatos é legítimo, mas deve respeitar os limites da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A legislação determina que apenas informações essenciais sejam coletadas para o recrutamento, conforme o princípio da minimização. Caso o recrutador solicite dados pessoais adicionais, precisa justificar sua finalidade para evitar riscos jurídicos.

O que realmente deve estar no currículo

O currículo deve conter apenas informações relevantes: nome, telefone, e-mail, formação acadêmica, experiências profissionais e, opcionalmente, links para perfis profissionais. Dados pessoais como estado civil, idade, religião ou signo não devem ser incluídos, pois podem gerar vieses e prejudicar a análise imparcial do candidato.

Em vez de apostar nos astros, especialistas recomendam que o profissional invista em autoconhecimento, capacitação e autenticidade — competências que, de fato, brilham em qualquer processo seletivo.

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