Incêndio em Ramos: bombeiros entram no terceiro dia de trabalho após destruição de loja

Incêndio em Ramos

O incêndio em Ramos continua mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros na Zona Norte do Rio de Janeiro. Na manhã desta quarta-feira (11), os militares entraram no terceiro dia de trabalho na área onde uma loja de peças de moto foi completamente destruída pelas chamas.

Após mais de 48 horas do início da ocorrência, os bombeiros seguem realizando o chamado trabalho de rescaldo, procedimento que tem como objetivo resfriar estruturas e evitar novos focos de incêndio no imóvel atingido.

Mesmo com o fogo já controlado, imóveis localizados no entorno do estabelecimento continuam interditados por questões de segurança. Por isso, moradores que precisaram deixar suas casas ainda aguardam autorização da Defesa Civil para retornar.

O aposentado João Batista, de 64 anos, contou que sua casa foi uma das afetadas. O telhado do imóvel ficou danificado por causa de destroços da loja atingida pelo fogo.

“A parede da minha casa é colada com a parede da loja, então não posso entrar em casa desde segunda-feira de manhã. Foi muita fumaça e acordamos com esse transtorno. Não pegamos nada da casa, nem documento. Uma parte da família está em Duque de Caxias e outra está perto, na casa da minha cunhada. Queremos nos reconstruir… Não sei se vamos ter alguma ajuda, se o rapaz tinha seguro… Na minha casa, são quatro adultos e três crianças, precisamos voltar para casa. Foi um livramento de Deus, não tem explicação”, desabafou em depoimento ao jornal O Dia.

O Corpo de Bombeiros foi acionado para combater o incêndio por volta das 6h50 da manhã de segunda-feira (9). Em pouco tempo, as chamas tomaram grandes proporções e destruíram toda a estrutura da loja.

Segundo relatos, o estabelecimento havia recebido recentemente uma grande carga de pneus e óleo, materiais altamente inflamáveis que podem ter contribuído para a intensidade do fogo.

A fumaça escura gerada pelo incêndio assustou moradores da região e provocou impactos no trânsito. A pista lateral da Avenida Brasil, no sentido Centro, precisou permanecer interditada por mais de 24 horas na altura de Ramos.

Ao todo, mais de 100 militares de 15 unidades diferentes do Corpo de Bombeiros foram mobilizados para a operação de combate às chamas.

Apesar da gravidade do incêndio e da destruição da loja, não houve registro de mortos ou feridos durante a ocorrência.

Funcionários da empresa Motocriss acreditam que o incêndio tenha começado no último andar do prédio, onde estava armazenada a carga recém-chegada.

Na manhã de terça-feira (10), funcionários e pessoas próximas à empresa estiveram no local para acompanhar o trabalho das equipes e prestar apoio aos proprietários do estabelecimento.

A balconista Joseilane Soares, de 41 anos, trabalhou por quase duas décadas na loja e voltou ao local para demonstrar solidariedade aos donos da empresa.

“Saí no final do ano, mas estava ajudando a cobrir férias do pessoal. Eu estava me arrumando para trabalhar quando soube da notícia. Peguei minha bicicleta e fui correndo. Quando me deparei com a cena, desabei. Voltei hoje na loja para prestar solidariedade. Não conseguimos dormir, todos os funcionários estão muito abalados. Meus patrões não mereciam isso, sempre foram muito corretos com todos nós. Estou emocionada porque foi a minha vida, criei minha filha com esse sustento. Sempre me ajudaram, sempre foram muito corretos”, lamentou em depoimento ao jornal O Dia.

Enquanto o trabalho de rescaldo continua, moradores e comerciantes da região aguardam novas avaliações das autoridades para saber quando será possível retomar a rotina no local afetado pelo incêndio.

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