Identificada em crânio quadrado no México antiga prática de deformação intencional

Identificada em crânio quadrado no México

Graças a análises em um crânio datado do período Clássico Mesoamericano (400–900 d.C.), arqueólogos do INAH (Instituto Nacional de Antropologia e História, do México, identificaram a primeira evidência de uma prática inédita de deformação craniana no norte de Huasteca, na Serra Madre Oriental, ao longo da costa do Golfo do México.

A descoberta, revela uma técnica singular de modificação em formato quadrado, padrão que era desconhecido. Os cientistas dizem que isto representa um avanço significativo na compreensão das práticas corporais e dinâmicas culturais da Mesoamérica antiga e passa a ser a primeira prova concreta de que a deformação craniana intencional era praticada naquela região.

– Essa forma é a ‘tabular superior’, assim denominada por alguns especialistas devido ao aspecto poliédrico que provoca no crânio, onde o plano de compressão se estende sobre o ângulo occipital até a sutura sagital nos parietais. Isso faz com que a cabeça apresente uma forma mais quadrada, ao contrário da forma cônica típica de outras modificações – explicou o antropólogo Jesús Ernesto Velasco González.

Os arqueólogos do instituto mexicano utilizaram metodologias contemporâneas de análise osteológica e isotópica para confirmar que o crânio exibia uma deformação classificada como “tabular ereta”, ou seja, um padrão marcado por um plano superior achatado que confere ao crânio a aparência de um paralelepípedo. Antes desta descoberta, as formas intencionais mais conhecidas na Mesoamérica eram as cônicas.

A deformação craniana intencional era uma prática antiga e amplamente disseminada em toda a Mesoamérica. Desde variações tabulares retas ou oblíquas até compressões frontais, esta diversidade refletia tanto preferências estéticas quanto significados sociais e simbólicos.

– A técnica costumava envolver a aplicação de placas de madeira, bandagens, toucas rígidas ou suportes que moldavam o crânio ainda nos primeiros anos de vida. O resultado influenciava diretamente a aparência do indivíduo, muitas vezes associado a status social, pertencimento comunitário ou funções cerimoniais. Em algumas culturas, a modificação enfatizava o uso de cocares e ornamentos que reforçavam identidades visuais e hierárquicas – revela Jesús Ernesto Velasco González.

Segundo a equipe do INAH, a identificação da nova variante amplia o entendimento das redes culturais que conectavam povos originários separados por grandes distâncias e vai de encontro com a visão tradicional de que certas regiões mesoamericanas teriam se desenvolvido de forma isolada.

Limpatech