Uma captação de órgãos realizada no Hospital Federal do Andaraí (HFA), na Zona Norte do Rio, nesta quarta-feira (14), vai beneficiar diretamente ao menos seis pacientes que aguardam por transplantes no estado. O doador era um jovem de 26 anos que teve morte cerebral confirmada enquanto estava internado na unidade. A operação envolveu diferentes instituições de saúde especializadas na retirada e redistribuição dos órgãos.
De acordo com matéria de Patricia Lima, a captação múltipla mobilizou três equipes médicas. Por conta do curto prazo de transporte, o coração foi o primeiro órgão a ser retirado, tendo sido encaminhado ao Instituto Nacional de Cardiologia. Em seguida, fígado e rins foram removidos por profissionais do grupo Américas. As córneas foram destinadas ao Banco de Olhos do INTO (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia).
O procedimento foi coordenado pelo Programa Estadual de Transplantes (PET), que destacou a relevância da estrutura do hospital após sua recente revitalização. Segundo o diretor da PET, Ivison Valverde, ações como esta reafirmam o compromisso da rede pública com a vida. “Cada órgão representa uma nova chance de vida para aqueles que estão à espera de um transplante”, declarou.
A estrutura atual do Hospital do Andaraí tem possibilitado a ampliação de serviços complexos como o transplante de órgãos. A unidade passou por profundas mudanças após sua municipalização, em dezembro de 2024. Antes disso, sob comando da administração federal, enfrentava uma série de críticas por conta das condições precárias de atendimento.
Desde a transição de gestão, o hospital já contabiliza mais de 10 mil atendimentos e 900 cirurgias, conforme balanço divulgado pela Prefeitura do Rio. A reabertura da emergência, em fevereiro deste ano, foi um marco importante no processo de reestruturação, sendo amplamente comemorada pela população local.
A reforma do HFA integra um cronograma mais amplo de revitalização das unidades hospitalares municipalizadas, como o Hospital Federal Cardoso Fontes (HFCF). A meta da Prefeitura é garantir estrutura adequada e atendimento de qualidade, especialmente em regiões que historicamente sofrem com carência de recursos públicos em saúde.
No caso da captação realizada no dia 14, todos os procedimentos seguiram protocolos rígidos, desde a confirmação da morte encefálica até o transporte dos órgãos para os receptores em tempo hábil. A operação representa um esforço coletivo entre os hospitais e as centrais de transplantes, além de uma demonstração de solidariedade da família do doador, que autorizou a doação mesmo em meio ao luto.
Segundo especialistas, o tempo é fator determinante no sucesso de transplantes, especialmente em casos de órgãos como o coração e o fígado. A logística, portanto, precisa ser extremamente precisa, envolvendo ambulâncias, helicópteros ou até aeronaves, dependendo da localização dos receptores.
A atuação do Programa Estadual de Transplantes tem sido fundamental para melhorar os índices de doação no estado do Rio de Janeiro. A iniciativa atua na captação, logística e acompanhamento de todo o processo, além de promover campanhas de conscientização junto à população.
Com a realização dessa nova captação múltipla, o Hospital do Andaraí se consolida como uma unidade estratégica para procedimentos de alta complexidade. Para a Prefeitura, o sucesso da ação reforça o caminho adotado com a municipalização da saúde federal, com foco em ampliação da oferta e melhoria do atendimento.














